A renomada jurista sul-africana Navanethem Navi Pillay, de 85 anos, foi a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, anunciado em Oslo, na Noruega. A comenda coroa uma jornada de meio século dedicada à proteção dos direitos humanos, da justiça e do fortalecimento do direito internacional, superando expectativas que envolviam figuras políticas como o presidente norte-americano Donald Trump, que também pleiteava a honraria.
Luta contra o apartheid e pioneirismo
Antes de alcançar projeção global, a ativista enfrentou de perto o brutal regime de segregação racial em seu país natal. Durante os anos 1970, sua atuação foi fundamental para assegurar assessoria jurídica a Nelson Mandela e a diversos outros prisioneiros políticos. Com a derrocada do regime segregacionista, fez história ao ser nomeada por Mandela como a primeira mulher não branca a compor a Suprema Corte sul-africana.
Atuação em tribunais internacionais
A partir de 1995, a trajetória da magistrada expandiu-se para o cenário global. Ela esteve à frente do tribunal encarregado de julgar os crimes perpetrados durante o genocídio de Ruanda em 1994, além de ter integrado o Tribunal Penal Internacional. Entre 2008 e 2014, chefiou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, fiscalizando abusos e atrocidades ao redor do globo.
Mais recentemente, liderou um comitê independente da ONU encarregado de examinar abusos nos territórios palestinos e em Israel. O colegiado apontou que o governo israelense incorreu em genocídio no conflito contra o Hamas em Gaza, posicionamento veementemente refutado por Tel Aviv, que também criticou a entrega da láurea à jurista.
Recado político e repercussão global
Durante o anúncio oficial, o líder do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, declarou que o prêmio funciona como um alerta àqueles que buscam debilitar o sistema multilateral. A fala foi amplamente interpretada como uma alfinetada em mandatários que desafiam instituições globais, a exemplo de Trump, que criticava frequentemente órgãos internacionais.
A vencedora tornou-se a 21ª mulher a levar o Nobel da Paz, recebendo uma premiação financeira de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões. Autoridades como o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, felicitaram a escolhida, exaltando seu legado na defesa da legalidade internacional.




















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