Ataques xenofóbicos contra baianos após declarações de Constantino

Após fala de Constantino, baianos são alvo de ataques e comentários preconceituosos nas redes

Declarações recentes do comentarista político e economista Rodrigo Constantino geraram uma onda de ataques preconceituosos e manifestações de xenofobia contra baianos e nordestinos nas redes sociais, revelando um cenário de hostilidade na internet.

Ataques nas redes e separatismo

Publicações analisadas logo após a repercussão da fala mostraram usuários associando os resultados das urnas na Bahia a estereótipos pejorativos. Entre as mensagens, internautas defenderam a separação do Nordeste do restante do país e alegaram que a região seria um entrave para o avanço nacional, ligando o pensamento ao forte apoio eleitoral aos candidatos do Partido dos Trabalhadores.

Outras postagens atacaram diretamente a capacidade intelectual dos moradores locais, com comentários sugerindo que a população dependeria da falta de instrução para manter determinadas escolhas políticas. Houve também restrições de cunho profissional e apelos para que turistas evitassem os estados nortistas e nordestinos em suas viagens pelo país, além de rótulos depreciativos direcionados à cultura baiana.

A polêmica declaração e a motivação eleitoral

A repercussão negativa explodiu depois que Constantino divulgou um vídeo fazendo ofensas graves à Bahia, chamando o estado de termo pejorativo ligado a doenças, taxando Salvador de lixo e afirmando que os habitantes não teriam interesse pelo trabalho. Os ataques verbais ocorreram no contexto pós-eleitoral, período em que o estado reelegeu o governador Jerônimo Rodrigues, garantiu vagas no Senado com Rui Costa e Jaques Wagner, e deu ampla maioria de votos a Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante da repercussão, seguidores do comentarista se dividiram: enquanto alguns aceitaram um suposto pedido de retração para evitar prejuízos eleitorais ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), o próprio autor dos vídeos dobrou a aposta. Em postagem seguinte, ele afirmou ter recebido apoio de moradores locais e defendeu que suas críticas faziam parte do debate público legítimo, reiterando as avaliações negativas sobre a capital baiana e relacionando os problemas locais a aspectos políticos e culturais.

Medidas legais e investigação policial

A gravidade do material publicado e a subsequente enxurrada de comentários discriminatórios mobilizaram as autoridades competentes do estado.

A Polícia Civil da Bahia instaurou um procedimento investigativo para apurar tanto as falas iniciais quanto os crimes de discriminação e preconceito praticados online. Paralelamente, a seção baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) protocolou uma notícia-crime junto à Polícia Federal, exigindo uma apuração rigorosa sobre o teor das postagens veiculadas nas plataformas digitais.