Queda de Lula no Bolsa Família e avanço da oposição em 2026

Votação de Lula cai em cidades mais dependentes do Bolsa Família

O primeiro turno das eleições gerais, realizado em 4 de outubro, revelou uma retração na votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos municípios brasileiros com maior dependência do Bolsa Família.

Desempenho nas cidades dependentes

Nessas localidades fortemente influenciadas pelo programa social, o índice de votos do atual mandatário caiu de 71,5%, registrado em 2022, para 68,7%. O levantamento baseia-se em cruzamentos de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre votações, população e beneficiários.

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou crescimento nesses mesmos redutos. O candidato do PL alcançou 27,3% da preferência do eleitorado, superando a marca de 23,5% obtida por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), no pleito de quatro anos antes.

Metodologia e panorama nacional

Para o mapeamento, o estudo dividiu os municípios em três categorias: alta dependência (50% ou mais da população no programa), média (entre 25% e 50%) e baixa (menos de 25%). As cidades altamente dependentes responderam por 14,4% dos votos válidos do país em 2026, enquanto as de baixa dependência somaram 59,1%.

No cenário geral do primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou a corrida presidencial com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), ao passo que Lula registrou 45,16% (53,8 milhões). A disputa foi encaminhada para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.

Impacto do reajuste do programa

A perda de terreno petista ocorreu semanas após o anúncio de um reajuste de 15% nos repasses do programa, efetivado em 17 de setembro. A alteração elevou o piso de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subiu de R$ 675 para R$ 777, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento.

A medida gerou críticas severas da oposição devido ao timing eleitoral, além de alertas de economistas sobre as contas públicas. Projeções oficiais apontam um impacto fiscal de R$ 5,8 bilhões para 2026 e de R$ 22 bilhões para 2027.

Atualmente, o programa atinge cerca de 19,3 milhões de famílias, exigindo renda per capita de até R$ 218, Cadastro Único atualizado e cumprimento de condicionalidades nas áreas de saúde e educação, além de adicionais por faixa etária e gestantes.