Investigação expõe laços entre Alcolumbre e Daniel Vorcaro

Festas e influência: mensagens mostram a amizade entre Alcolumbre e Vorcaro

Investigações conduzidas pela Polícia Federal revelam conversas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que expõem uma relação de proximidade e amizade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os registros detalham desde trocas de gentilezas até articulações políticas.

Trocas de mensagens e apoio político

Logo após a reeleição de Alcolumbre para o comando do Congresso em 1º de fevereiro de 2025, Vorcaro enviou felicitações ao parlamentar. O senador retribuiu o gesto com forte carga afetiva, afirmando tratá-lo como “irmão” e destacando uma amizade para toda a vida. Na ocasião, o empresário colocou-se à inteira disposição do político para qualquer eventualidade.

Encontros sociais e articulações em Londres

Além da política institucional, o material apreendido aponta o envolvimento do ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, na coordenação de eventos sociais frequentados por figuras de destaque. Em abril de 2024, Vorcaro financiou um evento exclusivo de uísque Macallan na capital britânica, estimado em R$ 3 milhões, que reuniu nomes de peso do Judiciário e da segurança pública brasileira.

Interesses econômicos e movimentações no Banco Central

O relacionamento também abrangeu pautas do setor financeiro. Em julho de 2025, após o Banco Central vetar a aquisição do Banco Master pelo BRB, o empresário buscou o apoio do senador para monitorar os desdobramentos na autarquia. Diante de questionamentos sobre um aliado em comum, Alcolumbre garantiu estar atuando ativamente com pressão nos bastidores.

Proposta de delação premiada e embates no STF

Documentos apontam que, em junho de 2026, Vorcaro tentou firmar um acordo de delação premiada no qual detalharia supostos repasses de US$ 30 milhões ao parlamentar, embora a proposta tenha sido rejeitada pela Justiça. O senador negou veementemente as denúncias, classificando-as como inverídicas.

No cenário institucional, o avanço das investigações coincidiu com barreiras impostas à criação de uma CPI para investigar o Banco Master. Enquanto o STF avaliava recursos para a abertura da comissão e exigia transparência sobre o controle de acessos ao Senado, o comando legislativo evitou o avanço do inquérito parlamentar.