Investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que o ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu uma hospedagem de luxo para o réveillon em Paraty, no Rio de Janeiro. O benefício teria ocorrido no período em que ocorriam tratativas para a celebração de um contrato entre a petroleira estatal e a companhia de fertilizantes Unigel.
Detalhes do pagamento da estadia
De acordo com os registros obtidos pelos investigadores, o valor total da reserva, estipulado em R$ 32,7 mil, foi custeado por terceiros. O empresário Leo Slezynger, ligado à fabricante de adubos, quitou a maior parte da fatura, somando R$ 19 mil.
O restante do montante foi pago pela lobista Roberta Luchsinger, que realizou o depósito inicial de R$ 13,6 mil. As conversas recuperadas indicam que a intermediária buscou ocultar os nomes dos verdadeiros pagadores e ainda disponibilizou um automóvel blindado para uso da família do ex-assessor durante o período de descanso.
Suspeitas sobre o acordo com a Petrobras
O foco principal da apuração policial é determinar se Marcola exerceu influência política para viabilizar o acordo assinado no final de dezembro de 2023. O acerto envolvia o fornecimento de gás natural pela Petrobras em troca de insumos agrícolas, uma transação que enfrentava forte resistência interna na diretoria da estatal devido ao receio de perdas financeiras.
Mensagens telemáticas revelam que a intermediária destacou a relevância estratégica do ex-chefe de gabinete nas tratativas. Em diálogos interceptados, ela afirmou que o assessor governamental era peça fundamental e que o apoio dele seria necessário por um longo período.
Articulação com o Ministério e o Palácio do Planalto
A investigação aponta que a lobista cobrou de Marcola articulações diretas com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para destravar as demandas da empresa de fertilizantes. Em resposta, o entao auxiliar presidencial indicou que possuía encontros agendados com a pasta ministerial.
Ademais, registros de conversas sugerem que a conclusão do negócio teria contado com interferência direta do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O procedimento investigatório corre sob sigilo, sob relatoria no Supremo Tribunal Federal, e também abrange menções a Fábio Luís da Silva, o Lulinha.
Posicionamento dos citados
Em sua defesa, Marco Aurélio Santana Ribeiro declarou que a hospedagem integrou uma operação de empréstimo financeiro pessoal junto à lobista, valor que foi devidamente devolvido com correção monetária, totalizando quase R$ 250 mil. Ele negou veementemente ter utilizado o veículo blindado ou ter intercedido em favor de interesses corporativos durante sua gestão no cargo público.
Por sua vez, a pasta de Minas e Energia negou qualquer tipo de abordagem por parte do ex-assessor em benefício da empresa citada. Representantes jurídicos da intermediária classificaram a exposição das mensagens como ato criminoso, enquanto as defesas dos demais investigados pontuaram que não houve acesso integral aos autos ou optaram por não se manifestar.
















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