Um levantamento técnico divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral revelou que o canal de mensagens <strong>Exército do Lula</strong>, administrado pelo deputado federal André Janones no WhatsApp, utilizava estratégias como a edição de textos e instruções para que seguidores repassassem conteúdos antes mesmo de consumi-los.
Investigação sobre fake news e relatórios técnicos
A análise foi ordenada pelo presidente da Corte, Nunes Marques, no âmbito de uma ação ajuizada pela campanha do senador Flávio Bolsonaro, que acusa a ferramenta de disseminar <strong>notícias falsas</strong>. O exame foi conduzido pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, que inspecionou as postagens veiculadas entre os dias 2 e 11 de outubro.
Mensagens apagadas e conteúdo editado
Durante a auditoria, os técnicos identificaram quatro publicações sinalizadas como modificadas, cuja visualização do histórico original foi impedida. Além disso, o documento apontou o desaparecimento de dezenas de postagens antes que pudessem ser lidas pelos investigadores, o que prejudicou a reconstituição completa da linha do tempo do grupo.
De acordo com o órgão fiscalizador, a verificação integral e segura do material depende exclusivamente de dados fornecidos pelo próprio provedor do aplicativo de mensagens, visto que registros internos foram suprimidos.
Orientações para burlar o algoritmo
O relatório detalhou uma estratégia de engajamento utilizada em 8 de outubro, quando o canal enviou um link acompanhado da instrução para que os usuários comentassem e compartilhassem o material de forma imediata, sem assisti-lo. A justificativa era manipular o algoritmo para impulsionar a relevância da postagem. Práticas semelhantes com ordens diretas de mobilização já haviam sido registradas nos autos em datas anteriores.
Alta audiência e polarização política
Com uma base de 3,3 milhões de seguidores na época da verificação, o canal demonstrava alta capacidade de alcance, tendo uma única mensagem acumulado cerca de 350 mil encaminhamentos. A equipe técnica destacou o uso recorrente de termos bélicos e tom polarizador, avaliando que a estrutura centralizada de comandos e a velocidade de propagação representam riscos ao debate democrático e à integridade das eleições.
Apesar das constatações sobre a dinâmica de funcionamento da ferramenta, a perícia técnica não localizou, no período analisado, novas reproduções das afirmações específicas que motivaram a queixa inicial da campanha de Flávio Bolsonaro, uma vez que as postagens contestadas de setembro ficaram fora da janela temporal examinado pela corte.
















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