TCU aponta 28 milhões sem internet e riscos no plano federal

TCU aponta 28 milhões sem internet e riscos em plano de inclusão do governo Lula

Um recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que cerca de 30 milhões de brasileiros continuam totalmente desprovidos de acesso à rede mundial de computadores. Além disso, o diagnóstico aponta que outros 64 milhões de cidadãos lidam com limitações severas na navegação devido ao esgotamento precoce de seus pacotes de dados móveis.

Desafios financeiros e barreiras de acesso

O levantamento detalha que somente 20% dos lares brasileiros conseguem arcar com os custos de conectividade dentro do patamar ideal, que comprometerá menos de 2% da renda familiar. A escassez de dispositivos eletrônicos adequados também se destaca como um obstáculo crítico para a população.

Apenas 32% das residências no país dispõem de um computador. No recorte das classes D e E, essa porcentagem despenca para 10%, enquanto nas zonas rurais o índice não ultrapassa os 15%, evidenciando a profunda desigualdade tecnológica nacional.

Obstáculos estruturais na política pública

Diante desse cenário, a auditoria examinou ações estatais, municipais e do setor privado para subsidiar o futuro Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID), liderado pelo Ministério das Comunicações. Os dados mostram que 43% das iniciativas federais focam na digitalização de serviços públicos, ao passo que apenas 7% priorizam a distribuição de aparelhos.

O documento adverte que levar apenas a infraestrutura de rede até as localidades não garante a inclusão efetiva. Para o órgão de controle, a população vulnerável também precisa de subsídios para pagar pelo serviço, posse de aparelhos compatíveis e letramento digital adequado para o uso das ferramentas.

Riscos para o futuro do programa

Outro ponto crítico levantado pelo TCU é a ausência de um sistema unificado para catalogar continuamente as políticas digitais vigentes. Essa deficiência burocrática obriga o governo a depender de demandas pontuais e de baixa receptividade para mensurar o impacto das ações.

A indefinição de recursos financeiros perenes e a forte dependência de obrigações regulatórias também ameaçam a sustentabilidade dos projetos a longo prazo. O tribunal ainda alerta para o perigo de prazos exíguos na formulação do plano, o que pode prejudicar debates públicos com as comunidades marginalizadas e gerar divergências conceituais entre os gestores sobre o real significado de inclusão digital.