Tarcísio cobra Lula sobre suposta verba de banqueiro para filme

Tarcísio ironiza Lula sobre dinheiro de Vorcaro para filme: ‘Braços dados com a corrupção’

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cobrou publicamente explicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acerca de uma reportagem recente que aponta o suposto repasse de recursos para a produção de um documentário sobre a trajetória do político.

Áudios e acusações contra o governo

A polêmica veio à tona após a divulgação de gravações em áudio nas quais o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente detido em Brasília, menciona transferências de dinheiro vivo. De acordo com as informações veiculadas, cerca de R$ 30 milhões teriam sido destinados tanto para a obra cinematográfica quanto para o Instituto Lula.

O material jornalístico aponta que os valores estariam associados a tratativas com o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, visando facilidades em negociações com fundos de pensão de empresas estatais. Além disso, há menções a cobranças de propina e ao envolvimento do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tendo o caso sido levado ao conhecimento da Procuradoria-Geral da República.

Reação do governador paulista

Em um pronunciamento veiculado nas redes sociais, Tarcísio criticou duramente a gestão federal e ironizou o silêncio atribuído ao presidente diante de escândalos políticos passados, como o petrolão e o mensalão.

O chefe do Executivo paulista questionou diretamente o mandatário sobre o financiamento da própria biografia audiovisual. A manifestação ocorreu em resposta a declarações anteriores de Lula, que tentou associar o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro investigado, devido a um pedido de patrocínio para o filme Dark Horse, focado na história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Posicionamento dos citados

Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores refutou o teor das revelações e negou qualquer tipo de irregularidade. A defesa de Lula também rechaçou veementemente a acusação de que o presidente tenha pedido ou aceitado vantagens financeiras de Vorcaro, ou autorizado terceiros a fazê-lo.

Por sua vez, a equipe jurídica que representa o dono do Banco Master adotou posturas divididas: enquanto um dos advogados confirmou que a voz no registro sonoro pertence ao cliente, mas ignorava o contexto da gravação, outros defensores preferiram não validar o teor divulgado e criticaram a exposição de documentos referentes a uma delação premiada ainda não formalizada.