STF solta filho do Careca do INSS e exige tornozeleira

Mendonça revoga prisão de filho do Careca do INSS e manda usar tornozeleira

O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira, 9, a soltura de Romeu Carvalho Antunes, apontado como envolvido em fraudes no INSS e filho do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Condições impostas pela Justiça

Detido desde dezembro de 2025 sob acusação de participação em desvios de aposentadorias e pensões, Romeu agora deverá cumprir medidas cautelares. A decisão estabelece o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, além da proibição absoluta de contato com os demais alvos da Operação Sem Desconto e de frequentar órgãos e entidades investigadas. Enquanto isso, o pai e apontado operador central da rede criminosa permanece detido.

Reação da defesa

Em nota oficial, os advogados Leandro Raca e Danyelle Galvão celebraram a medida adotada pela Corte. A defesa argumentou que a detenção carecia de fundamentos legais após nove meses e reforçou a expectativa de comprovar a inocência de seu cliente no decorrer das apurações.

Flexibilizações em série no STF

A liberação de Romeu integra um conjunto de decisões tomadas por Mendonça desde a última terça-feira, 8, abrandando restrições impostas pela Polícia Federal (PF) a investigados na mesma operação. Entre as medidas recentes, o magistrado também autorizou a soltura de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, que também usará tornozeleira e está proibido de sair do país.

As movimentações ocorrem em meio a articulações de bastidores lideradas pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. O objetivo é reorganizar as relatorias dos casos envolvendo o INSS e o banco Master, buscando solucionar divergências internas entre ministros da Corte.

Detalhes da Operação Sem Desconto

A investigação apura um esquema milionário de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, realizados por associações sem autorização. As autoridades apontavam Romeu como provável sucessor do pai na liderança das irregularidades.

Para fundamentar a revogação da custódia, Mendonça pontuou que o avanço das diligências policiais e o afastamento do investigado de suas atividades empresariais tornaram a prisão desnecessária. Por sua vez, a defesa enfatizou a colaboração espontânea do suspeito com as autoridades, ressaltando a revelação de bens ocultos antes mesmo de sua detenção e a ausência de indícios sobre ocultação de patrimônio.