Segundo turno: Lula e Flávio disputam votos e abstenção

Segundo turno: Lula e Flávio disputam votos da terceira via e tentam reduzir abstenção

Segundo turno: Lula e Flávio disputam votos e abstenção Descubra a estratégia de Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno das eleições, focando na conquista da terceira via e no combate à abstenção. O cenário político brasileiro definiu uma disputa acirrada para a corrida presidencial após o primeiro turno do último domingo (4). A diferença entre o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi de somente 1,87 ponto percentual, marcando a margem mais estreita em um pleito inicial desde a redemocratização do país. Enquanto Flávio alcançou 47,03% dos votos válidos, o candidato à reeleição somou 45,16%, com os 7,81% restantes divididos entre os demais concorrentes. Com o resultado, a ordem do dia passou a ser a caça aos eleitores órfãos e o combate firme à ausência nas urnas.

A caça aos eleitores da direita

Para ampliar sua vantagem, Flávio Bolsonaro direciona seus esforços para capturar o espólio político da direita que ficou de fora da disputa final. Os nomes de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) representam um montante superior a 9,3 milhões de votos da chamada terceira via. Enquanto Zema e Caiado já declararam apoio formal ao representante do PL, Cury e Renan optaram por não endossar nenhum dos finalistas. Geograficamente, esses sufrágios estão concentrados principalmente em São Paulo (2,5 milhões), Minas Gerais (1 milhão) e Rio de Janeiro (700 mil). Proporcionalmente, Goiás destacou-se com 13,83% para a terceira via, reduto onde Flávio obteve 53% contra 31% do petista. O Distrito Federal seguiu tendência similar com 10,59% para os eliminados e 51% para o candidato liberal, que também levou vantagem em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, estados que somam 1,5 milhão de votos em disputa.

O combate à abstenção no reduto petista

Do outro lado, diante da escassez de apoios expressivos entre os derrotados, a equipe de Lula elegeu a redução da abstenção eleitoral como pilar estratégico. Na primeira etapa, 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar, o que representa 21,08% do total apto. O Nordeste, tradicional base de apoio do petismo, contabilizou 8 milhões de faltosos, com destaques para a Bahia (2,2 milhões de ausentes ou 19,97%) e Pernambuco (1,3 milhão ou 18,17%), além de expressivos índices no Ceará e no Maranhão. O perfil histórico dos faltosos em pleitos anteriores aponta maior incidência entre homens, jovens de 21 a 29 anos, idosos acima de 70 anos e pessoas com menor escolaridade — taxa que alcançou 52% entre os analfabetos no primeiro turno.

Desafios nos grandes colégios eleitorais

Os três maiores estados do país lideram tanto em volume de eleitores quanto em abstenções, sendo que Flávio superou Lula em todos eles. São Paulo registrou 7,6 milhões de ausências (22,5%), Minas Gerais contabilizou 3,7 milhões (22,8%) e o Rio de Janeiro bateu 2,9 milhões de faltas (23,3%). Um complicador adicional para engajar o eleitor nessas praças é o fato de as disputas para o governo estadual já terem sido resolvidas, o que pode esvaziar o interesse na nova ida às urnas.

Particularidades no Norte e exterior

Fora do eixo central, o Amapá protagonizou o cenário mais equilibrado, com empate técnico em 45% para ambos os líderes, vantagem decimal para o petista, 8,6% de terceira via e 17,4% de abstenção. Já no Amazonas, Lula abriu três pontos de frente em um universo de 564 mil ausentes. Entre os brasileiros residentes no exterior, o cenário foi de forte apatia: a votação internacional registrou 574 mil abstenções, atingindo 62% do eleitorado apto fora do país. Nessas localidades, Lula pontuou com 47%, Flávio com 43% e a terceira via somou 9%.