Sabesp investe R$ 25 bilhões para despoluir Rio Tietê

Sabesp investe R$ 25 bilhões em obras para acelerar despoluição do Rio Tietê

Um aporte de R$ 25 bilhões em infraestrutura de esgotamento sanitário está sendo direcionado para acelerar a recuperação ambiental da Região Metropolitana de São Paulo. O projeto tem como foco central conter o descarte de carga orgânica no Rio Tietê e em seus afluentes, avançando agora para uma etapa que atenderá diretamente 1,75 milhão de habitantes espalhados por cerca de 650 mil residências.

Infraestrutura robusta e desafios geográficos

A nova etapa das obras envolve a implantação de 460 quilômetros de novas tubulações e a montagem de 112 Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs). A engenharia do projeto enfrenta relevos acidentados, formações rochosas e travessias sob rodovias movimentadas, a exemplo da Raposo Tavares. Onde o desnível geográfico impede o curso natural por gravidade, bombas de alta capacidade transportarão os efluentes até as centrais de tratamento.

As frentes de trabalho contemplam bairros das zonas norte e oeste da capital e alcançam diversos municípios vizinhos:

  • Cotia: lidera em malha subterrânea, com 107,5 km de redes e 15 elevatórias;
  • Cajamar: receberá 78,3 km de canos, 35 estações elevatórias e terá a capacidade da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Polvilho dobrada de 100 para 200 litros por segundo;
  • Osasco: soma 76,8 km de rede;
  • Itapevi: contará com 66,8 km de intervenções;
  • Carapicuíba e Jandira: recebem 34,3 km e 31,5 km, respectivamente;
  • Santana de Parnaíba, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato: fecham a lista de cidades com melhorias nas redes coletoras.

Impacto direto na bacia hidrográfica e queda na poluição

A barreira contra o esgoto in natura já reflete na saúde dos mananciais. Medições recentes indicam uma retração de 46 toneladas diárias de poluentes na calha do Tietê nos últimos dois anos. Em paralelo, análises técnicas da Cetesb registraram uma queda de 26,7% no descarte médio de matéria orgânica na saída da Grande São Paulo, saindo de 210 toneladas diárias em 2025 para 154 toneladas diárias no primeiro semestre de 2026.

Recuperação de afluentes e rios secundários

O monitoramento ambiental demonstra que conter os dejetos antes que cheguem aos córregos é o fator determinante para limpar os cursos maiores. Ao todo, a intervenção abrange 52 corpos hídricos — entre eles os rios Juqueri, Cotia, São João e Sapiantã, além de 16 ribeirões e 32 córregos — impactando cerca de 190 bairros. A bacia do Rio Pinheiros também reflete melhorias, com quedas expressivas na carga orgânica de pontos críticos como a Barragem de Pedreira (recuo de 55%) e a Ponte do Socorro (redução de 29%).

Meta de universalização antecipada para 2029

Iniciado por meio do programa Integra Tietê em 2023, o plano global já contemplou mais de 3 milhões de cidadãos e atingiu 43% de execução física. A conclusão deste ciclo de obras está prevista para 2028, pavimentando o caminho para que a universalização do saneamento básico na área de concessão seja atingida em 2029 — quatro anos antes do prazo estipulado pelo Marco Legal do Saneamento, fixado para 2033.

Além dos ganhos ecológicos em larga escala, as intervenções transformam a realidade de comunidades historicamente desassistidas. Na zona leste da capital, por exemplo, áreas como a Vila Progresso passam a ter coleta regular após meio século de espera, eliminando valas a céu aberto, afastando vetores de doenças e promovendo dignidade e saúde pública a milhares de famílias.