Por que líderes da IA têm obsessão pelo fim do mundo

Reinaldo José Lopes

A obsessão de magnatas e executivos do setor de tecnologia com a possibilidade de um apocalipse provocado pela Inteligência Artificial tem raízes muito mais profundas na religião do que na ciência exata. É o que aponta o jornalista e escritor Reinaldo José Lopes ao analisar o discurso dos chamados barões da IA.

O fascínio religioso pelo fim dos tempos

Para o especialista, o temor alardeado por esses líderes corporativos sobre a extinção da humanidade não passa por validações empíricas rigorosas. Na verdade, o comportamento e a retórica adotados refletem conceitos milenares ligados ao misticismo, ao messianismo e a narrativas teológicas tradicionais sobre o Armageddon.

A ciência versus a crença no Vale do Silício

Enquanto pesquisadores sérios alertam para riscos reais e imediatos — como viés algorítmico, desinformação e impactos econômicos —, a alta cúpula das grandes empresas prefere alimentar cenários de ficção científica com contornos espirituais. Essa postura desvia o foco dos problemas éticos atuais que já afetam a sociedade.

Ao transformar a tecnologia em uma divindade onipotente capaz de destruir o planeta, esses executivos acabam por cultuar o próprio produto. Trata-se de uma projeção de poderes quase divinos sobre códigos de computador, o que reforça a tese de que o debate atual sobre o futuro digital está contaminado por dogmas de fé disfarçados de inovação tecnológica.