PF e Polícia Civil investigam filme sobre Bolsonaro e verba pública

Investigações da PF e da Polícia Civil apuram uso de recursos públicos para financiar 'Dark Horse'

Documentos tornados públicos por determinação do Supremo Tribunal Federal confirmam que a Polícia Federal e a Polícia Civil apuram o repasse de verbas públicas para empresas ligadas à produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Investigação federal sobre emendas parlamentares

A Polícia Federal analisa a destinação de emendas federais para entidades vinculadas à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do longa. O inquérito foca em possíveis falhas na rastreabilidade e transparência de recursos direcionados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura.

Entre os parlamentares cujas emendas são escrutinadas estão os deputados federais Mario Frias, Marcos Pollon, Bia Kicis, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, além do deputado estadual paulista Gil Diniz. Os investigadores levantaram o histórico de doações eleitorais e repasses destinados tanto a projetos esportivos e de letramento quanto a iniciativas culturais que não teriam saído do papel.

Contrato milionário e suspeitas em São Paulo

Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo investiga um acordo de R$ 108 milhões firmado pela prefeitura municipal com o Instituto Conhecer Brasil para a instalação de cinco mil pontos de wi-fi em comunidades, valor posteriormente aditado para R$ 157 milhões.

A corporação apura a ausência de experiência anterior da organização em telecomunicações, o fato de ter sido a única concorrente na licitação e o repasse antecipado de R$ 26 milhões sem a devida prestação dos serviços. A investigação suspeita que parte desse montante municipal possa ter sido desviada para custear a produção cinematográfica da Go Up Entertainment, apontando confusão patrimonial entre as entidades da empresária.

Posicionamento dos citados

A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades, afirmando que o contrato seguiu os trâmites legais, que o programa de internet gratuita funciona com 3.200 pontos ativos e que as contas passam por análises semestrais rigorosas.

A defesa de Karina Gama declarou receber a quebra de sigilo com respeito e transparência, reforçando que a empresária não cometeu ilícitos e que mais de 20 mil páginas de documentos foram apresentadas voluntariamente à Justiça para esclarecer os fatos. As assessorias dos parlamentares citados não responderam aos contatos da imprensa.