PF confronta Daniel Vorcaro sobre mensagens enviadas a Moraes

Vídeos: delegado mostra a Vorcaro mensagens para Moraes e pergunta quem são ‘G’, ‘Andrei’ e ‘Paulo’

Durante um interrogatório realizado em 28 de agosto, o delegado da Polícia Federal Albert Paulo Sérvio de Moura colocou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro frente a frente com prints de conversas direcionadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Mensagens enviadas antes da prisão

As interações digitais com o magistrado ocorreram em 30 de outubro de 2025, semanas antes de Vorcaro ser alvo de sua primeira prisão, em 17 de novembro daquele ano. Nos registros recuperados pela investigação, o ex-controlador do Banco Master pedia para que o ministro interviesse junto à cúpula das forças de segurança.

Em trechos revelados pelo delegado, o banqueiro solicitava que Moraes conversasse com figuras-chave para evitar ações precipitadas. “É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”, registrou Vorcaro na época.

Identidade de G e autoridades citadas

Durante a oitiva, o delegado questionou o empresário sobre a identidade de pessoas mencionadas nas notas encontradas em seu celular, incluindo as abreviações e os nomes Andrei e Paulo. Inicialmente, a autoridade policial não revelou que o receptor das mensagens era o próprio ministro do STF.

Questionado sobre a letra “G” presente nos diálogos, Vorcaro admitiu que a referência era, muito provavelmente, a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Nas tratativas, o ex-banqueiro demonstrava grande preocupação com a pressão exercida pelo BC e pelas autoridades investigativas sobre as operações da instituição financeira.

Relatório da Polícia Federal e crise no STF

O material faz parte de um extenso relatório de 218 páginas produzido pela corporação, que mapeou um total de 52 interações entre o empresário e o magistrado. Os documentos indicam conversas sensíveis que iam desde avisos sobre o Banco Central até questionamentos do banqueiro sobre a possibilidade de deixar o país antes de ser detido.

A revelação desses diálogos gerou forte repercussão e turbulência institucional. O ministro André Mendonça solicitou que o caso seja avaliado diretamente pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com sessão marcada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para definir se o magistrado será formalmente investigado.