Moraes e chefe da PF têm reunião secreta em Brasília

Moraes teve encontro fora da agenda oficial com Andrei Rodrigues e outros chefes da PF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, realizou uma reunião fora da agenda oficial com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e outros oficiais da corporação. O encontro aconteceu na sede da Suprema Corte, em Brasília, contando também com a presença do diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa, e do delegado Denis de Carli.

Conexões e atritos recentes na cúpula A reunião secreta ocorreu cerca de um mês após Andrei e Almada terem sido afastados preventivamente de suas funções por ordem do ministro André Mendonça. A medida, aplicada em 8 de setembro, veio logo após a revelação de relatórios de inteligência da PF que foram utilizados por Moraes para solicitar uma investigação contra Mendonça. Os documentos, produzidos entre 3 e 31 de agosto, detalhavam as atividades de Moraes sob ordens do próprio magistrado, no âmbito do Inquérito das Fake News, e foram entregues a ele por Andrei.

Mendonça reagiu ao que classificou como monitoramento irregular de suas decisões e reuniões de trabalho, o que motivou o afastamento temporário da cúpula policial. Contudo, a suspensão durou apenas 24 horas, sendo revertida por decisões do plenário, permitindo que ambos os diretores retornassem aos postos imediatamente.

A viagem a Londres e o caso do Banco Master Outro ponto que atrai atenção para a relação entre o ministro e o chefe da polícia envolve episódios ligados ao Banco Master. Em abril de 2024, ambos participaram do 1º Fórum Jurídico em Londres, evento patrocinado pela instituição financeira então controlada por Daniel Vorcaro.

Registros enviados pela corporação à CPMI do INSS apontam que autoridades, incluindo Moraes e Andrei, participaram de uma degustação de whisky em um clube privativo na capital britânica ao lado de Vorcaro. As despesas de viagem do diretor da PF foram cobertas pelos organizadores do evento, conforme esclareceu a corporação.

Investigações e mensagens recuperadas O cenário se complicou após a apreensão do celular de Daniel Vorcaro, que atualmente está preso na Papudinha, em Brasília. Relatórios gerados a pedido de Mendonça expuseram mensagens em que o banqueiro buscava contato com Moraes antes de sua detenção, além de menções a Andrei.

A divulgação parcial do material gerou turbulência no STF. Diante disso, o presidente da Corte, Edson Fachin, exigiu que a PF entregue uma lista completa com os nomes de todas as autoridades citadas nas conversas. A entrega das informações e os desdobramentos dessas conexões serão o foco de uma reunião marcada entre Fachin e o diretor-geral da corporação.