Milton Leite é foragido em operação da polícia contra o PCC em SP

Ex-presidente da Câmara de SP, Milton Leite é considerado foragido em operação contra o PCC

A Polícia Civil de São Paulo considera o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, como foragido após ele não ser localizado em sua residência durante o cumprimento de um mandado de prisão nesta quinta-feira (17). O político do União Brasil é um dos principais alvos da Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e em órgãos do poder público.

Defesa nega fuga e acusações

Apesar de os agentes terem permanecido no imóvel para cumprir mandado de busca e apreensão e apontarem sua condição de foragido, a assessoria de Milton Leite divulgou nota afirmando que ele está em viagem e se apresentará às autoridades em até 24 horas para provar sua inocência. Em contato telefônico com a imprensa, o ex-parlamentar negou qualquer ligação com as acusações, classificando o episódio como perseguição e desafiando os investigadores a apresentarem provas. Informações colhidas no local indicam que ele estava em casa até a noite anterior, quando teria saído para um compromisso político.

Ligação com o transporte público e o PCC

De acordo com os relatórios da investigação, decisões estratégicas de empresas de transporte suspeitas de vínculos com o crime organizado passariam pelo crivo ou conhecimento de Milton Leite. Os investigadores apontam o ex-vereador como responsável direto pela operação de companhias controladas pela facção, além de o citarem como o verdadeiro proprietário da Transwolff, alvo prévio da Operação Fim da Linha em 2024. A nova fase da operação aponta ainda que outras companhias, como Alfa Rodobus e Sancetur, assumiram rotas anteriormente operadas por empresas investigadas.

Outros alvos da Operação Vectura Corrupta

A ofensiva policial visa cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Entre os detidos estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, cuja campanha à Prefeitura de Praia Grande teria recebido financiamento da organização criminosa. No total, a polícia mapeou 12 empresas de ônibus na capital que seriam controladas direta ou indiretamente pela facção, embora a prefeitura garanta que o serviço não corre risco de interrupção.

Investigação sobre a Sintonia dos Gravatas

Outro eixo da operação foca na chamada Sintonia dos Gravatas, um núcleo jurídico suspeito de atuar em favor dos interesses do PCC por meio de escritórios de advocacia e contas bancárias usadas para movimentações financeiras ilícitas. A origem de toda a apuração remonta a desdobramentos anteriores iniciados em 2024, que passaram por investigações sobre lavagem de dinheiro, redes de doleiros e fintechs ligadas à facção que teriam movimentado bilhões de reais, culminando agora no cerco a figuras políticas e operadores do esquema.