Miguel Reale Junior apoia Lula e critica Flávio Bolsonaro

Autor do impeachment de Dilma, Miguel Reale Junior declara apoio a Lula e critica Flávio

Miguel Reale Junior apoia Lula e critica Flávio Bolsonaro Jurista Miguel Reale Junior anuncia voto em Lula no segundo turno de 2026. Ele critica propostas de Flávio Bolsonaro e alerta sobre riscos à democracia. O renomado jurista Miguel Reale Junior, figura histórica por assinar o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff e comandar a pasta da Justiça na gestão FHC, anunciou nesta quarta-feira (8) seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno da disputa presidencial de 2026.

A carta aberta e as críticas a Flávio Bolsonaro

Por meio de um manifesto compartilhado em sua conta no Instagram com o título “Cuidado com o precipício”, o ex-ministro direcionou severas críticas ao senador e candidato adversário Flávio Bolsonaro, especialmente em razão de suas promessas de conceder anistia aos golpistas do 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o advogado, o voto no representante do PL representa uma legitimação direta à tentativa de golpe e ao enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras, validando os ataques ocorridos nas sedes dos Três Poderes.

Riscos à soberania e segurança pública

Além da questão da anistia, Reale Junior apontou que o candidato rival flerta com a submissão da soberania nacional aos Estados Unidos, ao apoiar a postura do presidente norte-americano Donald Trump de classificar facções criminosas como terroristas, o que poderia culminar em uma ingerência estrangeira no país. O jurista também repudiou a admiração de Flávio pelo modelo de segurança de El Salvador, caracterizando a estratégia como um estado policial de prisões em massa e sem garantias processuais, o que abriria portas para uma onda de perseguição estatal violenta.

O cenário político e o posicionamento de 2026

Apesar de reconhecer um desgaste na imagem do Partido dos Trabalhadores e o cansaço popular em relação ao atual governo, o autor do impeachment argumenta que a gestão petista garante a manutenção das regras democráticas e da independência nacional, afastando qualquer risco de quartelada. O cenário eleitoral foi definido no último dia 4, quando Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou a segunda colocação com 45,16%. O cenário no Congresso também foi motivo de alerta para o ex-ministro, que expressou preocupação com o avanço de parlamentares de extrema-direita contrários a pautas sociais, direitos das minorias e políticas afirmativas. Historicamente pragmático, Reale Junior já havia sinalizado proximidade com o petista no pleito anterior para barrar retrocessos institucionais.