A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou nesta data a desistência oficial de sua campanha para o cargo de Secretaria-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). A política chilena contava com o respaldo oficial do governo brasileiro, porém enfrentava um cenário político desfavorável que reduzia drasticamente suas chances de vitória.
Motivos da desistência
Em um pronunciamento gravado para sua conta no Instagram, a ex-mandatária justificou a decisão citando o avanço de forças contrárias ao multilateralismo. Segundo ela, há um momento de fortes ventos contra o direito internacional, a democracia, os direitos humanos e o reconhecimento científico das mudanças climáticas.
Apesar de reconhecer que nadava contra a maré, a política chilena ressaltou que não se arrepende de ter lançado o desafio em defesa de seus valores fundamentais.
Obstáculos geopolíticos e votação desfavorável
O projeto enfrentou forte desgaste após registrar resultados desfavoráveis em rodadas consecutivas de consultas no Conselho de Segurança da ONU. Pelo regulamento da instituição, qualquer pretendente precisa passar pelo crivo do colegiado sem sofrer vetos dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China), antes de passar pela aprovação final da Assembleia-Geral.
Analistas dos bastidores diplomáticos apontavam que o nome da política chilena correria sérios riscos de sofrer vetos estratégicos. Os Estados Unidos poderiam barrar o nome durante o governo de Donald Trump, enquanto a China acumulava resistências devido a um relatório crítico elaborado por ela sobre violações de direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur.
Na última votação secreta realizada entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança — somando membros fixos e rotativos —, o desempenho foi amplamente negativo. A campanha contabilizou apenas um voto favorável, três abstenções e 11 manifestações explícitas de desencorajamento. Além do Brasil, o México também integrava o grupo de países apoiadores, embora nenhuma das duas nações tenha assento no órgão decisório.
Cenário atual da disputa
Com a saída do páreo, a corrida sucessória passa a ser liderada por duas mulheres: Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual dirigente da Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da entidade, e Carolyn Rodrigues Birkett, representante oficial da Guiana na organização internacional.
A saída de Michelle Bachelet encerra as expectativas do bloco latino-americano de emplacar uma de suas principais lideranças no posto máximo da diplomacia global, redirecionando os holofotes para as demais diplomatas que continuam firmes na disputa.




















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