A Meta implementou alterações urgentes em seu assistente de inteligência artificial integrado às redes sociais, após uma usuária relatar que a tecnologia cruzou dados familiares para propor questionamentos invasivos sobre suas filhas.
Falha na privacidade infantil gera alerta
O caso veio à tona quando a usuária Kalie Robins utilizou o Instagram e o Facebook para publicar um vídeo em que aparecia cantando com uma de suas herdeiras dentro de um automóvel. A Meta AI exibiu o comando “Quem é a criança?”. Ao interagir com a sugestão, a mãe deparou-se com um verdadeiro dossiê digital que incluía não apenas a menor presente na gravação, mas também sua outra irmã que sequer aparecia nas imagens.
Investigações apontam que o incidente ocorreu porque o sistema cruzou registros publicados por outros parentes na internet, além de informações que a própria mãe havia compartilhado em ocasiões anteriores nas plataformas do grupo.
Reconhecimento de erro e limitações da correção
Questionada sobre o ocorrido, a empresa dona do Facebook e do Instagram admitiu publicamente que “errou o alvo”. Uma porta-voz da companhia afirmou categoricamente que a tecnologia jamais deveria ter sugerido perguntas como essas a um indivíduo e confirmou que a falha geradora dos atalhos problemáticos já foi solucionada.
Especialistas em tecnologia ressaltam, contudo, que a atualização atinge estritamente as sugestões automáticas exibidas pelo assistente. Isso significa que o chatbot ainda pode recuperar e exibir tais informações caso algum internauta faça questionamentos diretos e específicos sobre o tema.
Cruzamento de dados do passado
Em novos relatos publicados na web, Robins demonstrou que o sistema automatizado vasculhou publicações antigas do perfil e de familiares para compilar nomes completos, datas comemorativas de aniversário, endereços residenciais e gravações de vídeo.
A inteligência artificial chegou a resgatar e exibir fotografias das menores que haviam sido deletadas pela própria mãe anos antes, gerando forte debate sobre o direito ao esquecimento e a privacidade online de menores de idade no ecossistema digital.
Justificativa oficial da empresa
A companhia tecnológica defendeu que os atalhos automáticos servem unicamente para aprofundar o engajamento com o conteúdo visualizado, operando sempre com base em permissões concedidas pelo próprio usuário nas redes. A Meta AI opera atualmente de forma nativa em aplicativos de grande alcance global, como WhatsApp, Messenger, Instagram e Facebook.
Este episódio marca mais um recuo importante da corporação no setor de tecnologia generativa. No mês de julho, a companhia já havia suspendido um recurso polêmico que gerava imagens baseadas na fisionomia de contas do Instagram, medida tomada após fortes críticas sobre riscos de deepfake e invasão de privacidade.




















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