Jornalistas banidos da Casa Branca cobrem Trump na ONU

Veículos banidos da Casa Branca cobrem Trump na ONU às vésperas de audiência judicial

Repórteres dos veículos CNN, MS NOW e Politico conseguiram cobrir a participação do presidente Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, utilizando credenciais emitidas pela própria organização internacional.

Disputa judicial e bloqueio na Casa Branca

A cobertura ocorreu véspera de uma audiência em um tribunal federal de Washington, marcada para esta quarta-feira. Os três portais de notícias abriram um processo contra a administração Trump após terem o acesso às instalações presidenciais revogado pelas redes sociais na última sexta-feira.

Na visão do governo norte-americano, as empresas espalhariam notícias falsas. Em contrapartida, os veículos sustentam na Justiça que a proibição fere de forma direta a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa e de expressão. O juiz federal Timothy Kelly, nomeado pelo próprio Trump em 2017, será o responsável por analisar o pedido de liminar.

Reações e criação de canal governamental

Durante a chegada ao prédio da ONU em Nova York, o presidente manifestou surpresa com a presença dos profissionais e questionou a motivação deles. Em coletiva posterior, ao ser questionado se acataria uma eventual decisão desfavorável da Justiça, Trump alegou razões de segurança nacional e criticou a imparcialidade do magistrado.

O atrito gerou reflexos diretos na cobertura tradicional do poder Executivo. Como a CNN integra o grupo principal de emissoras que compartilham imagens e custos da cobertura presidencial mas ficou impossibilitada de atuar, os demais canais do pool optaram por suspender a transmissão das atividades de Trump.

Para preencher essa lacuna de comunicação, a gestão atual estreou a chamada Trump TV, iniciativa voltada a divulgar vídeos e realizações oficiais que entidades de defesa da liberdade de imprensa já classificam como propaganda estatal.

Questionados pela imprensa, integrantes do alto escalão do governo evitaram confirmar se haverá recuo na medida, enquanto a batalha jurídica sobre o livre exercício do jornalismo segue para os tribunais.