Impeachment de Moraes é inegociável na campanha de Flávio Bolsonaro

Flávio trata impeachment de Moraes como inegociável; Dino segue na mira

A equipe que coordena a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) definiu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como uma pauta absolutamente inegociável para a retomada do equilíbrio entre os Três Poderes.

O histórico de atritos com o STF

As rusgas e contestações em torno da atuação de Moraes remontam a março de 2019, período em que foi instaurado o chamado Inquérito das Fake News. A investigação teve início de ofício pelo então chefe da Corte, Dias Toffoli, sem que houvesse provocação formal da Polícia Federal ou do Ministério Público. Além disso, a relatoria foi atribuída diretamente a Moraes, sem o tradicional sorteio entre os magistrados.

Ao longo dos anos, o ministro determinou o bloqueio de perfis digitais e contas bancárias, autorizou mandados de busca contra empresários, jornalistas e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, e ordenou a exclusão de conteúdos, muitas vezes sem conceder direito de defesa prévia aos citados. Para os assessores de Flávio, a omissão histórica do Senado diante dessas medidas acabou incentivando a continuidade de decisões consideradas abusivas.

Flávio Dino na mira e questionamentos eleitorais

Além de Moraes, o ministro Flávio Dino também entrou na mira da campanha bolsonarista devido a decisões judiciais recentes interpretadas como favoráveis à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos episódios ocorreu em setembro, quando Dino derrubou uma ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que exigia a remoção de informações falsas sobre a padroeira do Brasil.

A defesa do candidato chegou a acionar o STF para declarar a suspeição de Dino em casos eleitorais, citando sua proximidade com o governo atual por ter integrado a Esplanada dos Ministérios. No entanto, o pleito foi negado pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.

Prioridade para reformas estruturais

A pressão pelo afastamento de ministros caminha lado a lado com a agenda de reformas econômicas e estruturais planejada para o caso de uma vitória nas urnas. O grupo político afasta a tese de que o confronto com o Judiciário atrapalharia votações cruciais no Congresso, apostando na renovação parlamentar para aprovar mudanças nas leis trabalhistas, na Previdência, no sistema tributário e no setor administrativo.

Coordenada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), a estratégia econômica visa conter despesas obrigatórias, enxugar a máquina pública com a redução de ministérios e retomar o programa de privatizações. O próprio Marinho reforçou recentemente que o Senado precisa cumprir seu papel fiscalizador, defendendo inclusive alterações regimentais para evitar o engavetamento de pedidos de impeachment na Casa.

Expectativa de liberdade para Jair Bolsonaro

Nos bastidores da campanha, aliados tratam com extrema convicção a libertação de Jair Bolsonaro. Condenado pelo STF a mais de 27 anos de reclusão por acusação de tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente cumpre pena domiciliar humanitária desde março de 2026, enquanto sua defesa tenta reverter a condenação por meio de revisões criminais na Corte.

Enquanto articulam a soltura do ex-presidente e a pressão institucional sobre o Judiciário, os aliados de Flávio asseguram que as movimentações não configuram revanche política, mas sim uma exigência republicana de responsabilização diante de eventuais irregularidades cometidas por autoridades públicas.