IA já é usada por 92% das empresas do mercado financeiro no Brasil

IA é usada por 92% das empresas do mercado de capitais, mostra pesquisa Anbima/Datafolha

A inteligência artificial já faz parte da rotina de 92% das companhias que integram o mercado de capitais brasileiro. É o que aponta um estudo inédito realizado em parceria pelo Datafolha e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Perfil das empresas participantes

O levantamento ouviu 177 organizações entre o final de janeiro e o começo de abril. Desse total, 80% são gestoras de recursos, enquanto os 20% restantes englobam bancos, corretoras, distribuidoras, securitizadoras e consultorias.

A forte presença de gestoras na amostra reflete a própria composição das entidades associadas, garantindo um retrato fiel da realidade financeira nacional, conforme explicam os organizadores do estudo.

Principais aplicações da tecnologia

Entre as instituições que já adotam ferramentas tecnológicas, o foco recai sobre a análise de dados, mencionada por 72% dos entrevistados, e o uso de IA generativa, presente em 67% dos casos. O aprendizado de máquina (machine learning) aparece com 48%, seguido pelo processamento de linguagem natural (36%).

Na prática, as ferramentas ajudam em tarefas cotidianas como automação de rotinas, resumo de documentos, organização de informações e apoio a análises técnicas.

Foco em eficiência e produtividade

O objetivo principal do uso corporativo é impulsionar a eficiência operacional. Cerca de 80% das companhias apontam o aumento da produtividade como principal benefício, e 75% destacam a automação de tarefas repetitivas.

Em contrapartida, os impactos mais profundos ainda são tímidos: apenas 17% criaram novos produtos utilizando a tecnologia, 14% enxergam vantagem competitiva real e somente 6% mudaram seus modelos de negócio.

Maturidade digital e governança

Apesar da alta adesão, a maturidade do setor é variada. Quase metade das empresas (48%) está em um patamar intermediário, aplicando a tecnologia em setores específicos para otimizar fluxos. Apenas 11% possuem a ferramenta integrada a processos críticos.

No quesito segurança, 52% das organizações possuem apenas diretrizes informais ou regras em desenvolvimento. Apenas 9% contam com uma política formal e governança estruturada, um fator considerado essencial para escalar as inovações com segurança jurídica.

Transparência e métricas de sucesso

A pesquisa também identificou lacunas importantes na mensuração de resultados e na clareza das operações. Sete em cada dez consultados não possuem regras claras de transparência ou contam apenas com diretrizes básicas.

Além disso, 43% avaliam o retorno sobre o investimento de forma puramente subjetiva, sem o uso de indicadores formais de desempenho.

Diante desse cenário, o principal desafio agora é apoiar as instituições de menor porte a superarem essas barreiras, promovendo o uso ético e estruturado da inovação em todo o setor financeiro.