Holding de Daniel Vorcaro vai à falência com dívida biônica

Holding de Vorcaro tem dívida de US$ 1 bi e será liquidada nas Ilhas Cayman

A Justiça das Ilhas Cayman determinou a liquidação judicial da Titan Capital Holding, empresa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que acumulou um passivo estimado em US$ 1 bilhão. A decisão foi revelada durante assembleia com credores conduzida pela Grant Thornton, auditoria nomeada para gerenciar o processo de insolvência.

Operação de fachada nas Ilhas Cayman

Embora estivesse formalmente registrada em Georgetown, a companhia funcionava apenas como uma espécie de caixa postal no exterior. A Titan não possuía funcionários, estrutura física ou bens relevantes em território caymanense, operando na prática a partir de dois andares luxuosos na Avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo.

O processo de falência teve início em abril, quando a Tether acionou a Justiça estrangeira para reaver um empréstimo de US$ 300 milhões tomado em março de 2025. Com a ordem de liquidação, a auditoria agora tem a missão de rastrear e alienar o patrimônio para quitar as obrigações com os credores.

Conexões e investigações no Brasil

Levantamentos da auditoria apontam que os principais interesses da holding se concentravam em subsidiárias brasileiras e participações societárias ligadas ao grupo corporativo. Ex-diretores da empresa, que também acumulam passagens pelo Banco Master, tornaram-se alvos de apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, após se negarem a entregar documentos financeiros.

Simultaneamente, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras detectou repasses de R$ 700 milhões feitos pela instituição financeira para a Titan entre janeiro e julho de 2025, valores associados a suspeitas de ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

Negócios bilionários e recuperação judicial

A estrutura de investimentos também esteve envolvida em transações de grande porte no mercado nacional, como a aquisição de direitos creditórios de usinas sucroalcooleiras negociados com a Fictor por R$ 566 milhões.

Após a Fictor recorrer à recuperação judicial no início de 2026 deixando um rombo de R$ 430 milhões, a holding de Vorcaro transformou-se em uma das principais credoras do processo. Até o momento, os representantes legais dos citados na investigação não se pronunciaram sobre as acusações.