Haddad é investigado por difamação após acusar Ricardo Nunes

Haddad vira alvo de inquérito por difamação depois de acusar Nunes em debate

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar o petista Fernando Haddad pelo crime de difamação contra o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

A origem do inquérito policial

O caso começou a ser apurado pelo Distrito Policial do Morumbi após a apresentação de uma queixa-crime formalizada pela equipe jurídica de Nunes. Na petição, os advogados do prefeito solicitaram que o ex-candidato ao governo estadual seja intimado para prestar depoimento oficial sobre o episódio.

A abertura da investigação policial decorre de declarações feitas por Haddad durante o debate televisivo transmitido pela TV Bandeirantes em 9 de agosto, quando os concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes discutiam propostas e realizavam embates políticos.

Declarações polêmicas no debate

Durante o confronto entre os candidatos, o político do PT afirmou que o atual prefeito teria mencionado um endividamento de R$ 50 bilhões para a cidade. Além disso, associou os contratos firmados entre a administração municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), voltados para a instalação de pontos de conexão Wi-Fi, ao financiamento da produção cinematográfica intitulada “Dark Horse”, obra focada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em resposta às acusações, a assessoria de imprensa do petista defendeu o teor das falas proferidas no programa de TV. Em nota oficial, argumentou que os apontamentos feitos no debate tiveram como base reportagens publicadas por veículos de imprensa, além de envolverem fatos que já são alvos de apuração pela Polícia Federal sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Posicionamento da prefeitura e defesa

Por meio de sua Secretaria de Comunicação, a Prefeitura de São Paulo classificou as declarações como infundadas e levianas, afirmando que o adversário político precisará prestar esclarecimentos na esfera judicial. O texto reforça ainda que Ricardo Nunes repudia as acusações, destaca sua trajetória de honra e assegura que não tolerará ataques à sua reputação.

Dias após o debate, o chefe do Executivo municipal rejeitou a existência de irregularidades nos acordos de internet gratuita, ressaltando que o Tribunal de Contas do Estado acompanha o tema de perto. Ele também negou qualquer tipo de vínculo com a produtora do longa-metragem associada ao ICB, reafirmando disposição para colaborar com as autoridades judiciais.

O contexto das investigações federais

Os contratos de fornecimento de internet gratuita municipal chamaram a atenção das autoridades competentes em junho, período em que a proprietária da produtora ligada ao filme “Dark Horse” virou alvo da Operação Wi-Fi Livre. A suspeita levantada pelos investigadores aponta para o possível uso de verbas públicas repassadas à ONG para custear parte da obra audiovisual.

O foco da investigação recae sobre o termo de colaboração estabelecido entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e o Instituto Conhecer Brasil para a expansão de conexões em áreas periféricas. Relatórios preliminares apontaram inconsistências no processo de contratação, destacando a participação solitária da entidade, cuja experiência prévia era restrita a feiras literárias e eventos de cunho religioso, sem histórico no setor de telecomunicações.