Governo da Holanda testa Linux para substituir o Windows

Linux entra nos planos da Holanda para substituir o Windows

O governo da Holanda deu o primeiro passo rumo à independência tecnológica ao iniciar testes com um ambiente de trabalho baseado em Linux. A iniciativa busca substituir gradualmente o Windows e os serviços da Microsoft 365 em computadores de órgãos públicos do país europeu.

O que é o projeto DAWO

Batizado de Ambiente de Trabalho Digital Autônomo do Governo (DAWO), o plano utiliza a distribuição NixOS como alicerce tecnológico. O escopo vai muito além de um simples sistema operacional, englobando também suítes de escritório, plataformas de colaboração, recursos de nuvem e sistemas avançados de gerenciamento de dispositivos.

Atualmente, a fase de testes ocorre de forma restrita em oito municípios holandeses. A avaliação é coordenada pela Associação de Municípios Holandeses (VNG), mas os gestores esclarecem que ainda não existe um cronograma definido para uma migração em larga escala.

Busca por soberania digital

Essa movimentação reflete uma preocupação crescente na Europa com a soberania digital e a redução da dependência de fornecedores estrangeiros de tecnologia. O gatilho para o alerta na Holanda foram as sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra membros do Tribunal Penal Internacional, localizado em Haia.

O próprio tribunal já começou a substituir softwares da Microsoft por alternativas de código aberto. A tendência ganha força em outros países do continente: a Dinamarca introduziu o Linux e o LibreOffice na administração pública, a França amplia o uso de sistemas abertos e a Suíça iniciou um piloto com milhares de servidores públicos.

Desafios e próximos passos

Apesar do avanço, a implementação em massa ainda é uma incógnita. Os desenvolvedores estimam que a primeira versão estável do DAWO fique pronta apenas em 2027, sem uma data fixa no calendário.

Até lá, os testes em notebooks antigos servirão para medir a compatibilidade de softwares, avaliar a facilidade de adaptação dos servidores e superar barreiras técnicas inerentes à substituição do ecossistema da Microsoft.