O avanço da desertificação no território brasileiro já ultrapassou as fronteiras históricas da região Nordeste e passou a colocar em risco diferentes áreas do país, exigindo ações urgentes de recuperação ambiental.
O avanço da aridez no solo baiano
O alerta foi feito nesta quarta-feira (9) por Sérgio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas. Durante entrevista, ele enfatizou a urgência de restaurar solos degradados e ampliar a cobertura vegetal para mitigar os impactos severos das mudanças climáticas globais.
Como exemplo crítico, o especialista mencionou a situação do município baiano de Chorochó. A localidade foi oficialmente apontada pelo IBGE como a primeira do Brasil a transicionar do perfil semiárido para o estritamente árido, caracterizado pela escassez severa de chuvas e pela perda drástica da capacidade produtiva da terra.
Inteligência das árvores contra o calor urbano
Diante da expansão desordenada das metrópoles, Leitão ressaltou que o planejamento urbano precisa obrigatoriamente incorporar estratégias de resiliência climática. Em relação a Salvador, por exemplo, o plantio massivo de vegetação foi apontado como a principal ferramenta para amenizar tanto os temporais quanto as ondas de calor intenso.
Para o ambientalista, o uso da chamada inteligência das árvores é o caminho mais eficiente para equilibrar o microclima nas cidades. Ele também pontuou que o aquecimento excessivo nas salas de aula do Nordeste compromete diretamente o rendimento escolar e a concentração dos alunos, tornando imperativo climatizar e arborizar o ambiente educacional.
Balanço das metas ambientais do governo
No âmbito da gestão pública federal, o diretor avaliou que o principal acerto da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a reativação rigorosa dos mecanismos de fiscalização contra o desmatamento, resultando na queda dos índices negativos anteriores.
Apesar dos progressos na fiscalização, o Brasil ainda demonstra lentidão no cumprimento de compromissos climáticos internacionais. Leitão lembrou que a meta assumida no Acordo de Paris em 2015 prevê a restauração de 12 milhões de hectares degradados, sendo que apenas o bioma da Caatinga acumula uma demanda urgente de recuperação em cerca de 1 milhão de hectares.























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