Daniel Vorcaro confirma à PF que usava rede de informantes

Vorcaro admite que tinha ‘pessoas que levantavam informações’ para ele

O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, confessou à Polícia Federal (PF) que mantinha colaboradores encarregados de coletar dados e monitorar autoridades. A revelação ocorreu durante depoimento prestado por videoconferência a partir do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após ser confrontado com anotações encontradas em seu aparelho celular contendo nomes de delegados e membros do Ministério Público (MP).

Anotações detalhavam investigadores da PF

O registro encontrado no dispositivo móvel do ex-executivo data de outubro de 2025, período que antecedeu em cerca de um mês a liquidação da instituição financeira e a sua prisão, efetuada em 17 de novembro. Questionado pela autoridade policial sobre a origem dos registros, o investigado alegou falta de memória e afirmou que construiu a lista gradualmente, conforme identificava os responsáveis pelas apurações.

Conforme apontado pelo delegado durante a oitiva, os nomes listados no documento coincidem com os dos agentes públicos que participaram de encontros no Banco Central a partir de outubro de 2025, focados em inquéritos em curso. Nessas reuniões, estiveram presentes figuras como o ex-chefe de supervisão Belline Santana e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Sousa, ambos também sob escrutínio da Justiça.

Menção a dirigentes e interrupção da defesa

Durante o mesmo depoimento, o empresário apontou o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, como sendo a letra “G” mencionada em um apontamento de 30 de outubro de 2025, no qual registrou que os dados vazavam de fontes internas da autarquia federal.

Diante desse trecho, a defesa técnica, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, interrompeu o ato para ressaltar que seu cliente só abordaria temas sensíveis envolvendo determinados indivíduos caso venha a firmar um novo pacto de delação premiada. Em resposta, o delegado lembrou que o depoente havia sido devidamente informado sobre seu direito ao silêncio no início da diligência.

Tentativa de antecipar-se às apurações

Segundo o depoimento, o ex-banqueiro justificou que buscava contato com órgãos públicos por conta própria para tentar se antecipar aos desdobramentos de investigações envolvendo a planejada fusão com o Banco de Brasília (BRB). A meta, segundo sua versão, era apresentar sua perspectiva sobre a transação antes que os processos avançassem sem a sua manifestação.