Crise no STF: inquérito revela conexões e queda de braço

Entenda o passo a passo da crise no STF

Documentos revelados recentemente colocam o Supremo Tribunal Federal no centro de uma intensa turbulência institucional, envolvendo investigações sigilosas e contratos de valores expressivos.

Contratos milionários e avião particular O escritório de advocacja da família do ministro Alexandre de Moraes firmou acordos que somam R$ 180 milhões com companhias associadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Desse total, R$ 130 milhões partiram do Banco Master e outros R$ 50 milhões da Viking Participações. Além disso, Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado e sócia da banca, ganhou a cota de um jato particular. Investigações da Polícia Federal apontam que a minuta do acordo com o banco foi redigida utilizando o registro de login do próprio Moraes.

Diálogos e pedidos de intervenção Conversas telefônicas obtidas pelos investigadores mostram trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e o integrante da mais alta corte do país. Vorcaro solicitou que o magistrado intercedesse junto ao procurador-geral da República, Rodrigo Gonet, e ao chefe da PF, Andrei Rodrigues, para evitar complicações judiciais. O empresário também consultou sobre a possibilidade de deixar o território brasileiro para escapar de uma eventual prisão.

O impacto da quebra de sigilo Embora os repasses do Banco Master já fossem de conhecimento público, os demais detalhes vieram à tona após a retirada do sigilo do inquérito pelo ministro André Mendonça, no início de setembro. A decisão gerou forte abalo no tribunal. Como resposta, Moraes tentou acionar o inquérito das Fake News contra Mendonça, mas a manobra foi barrada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Decisões cruzadas e afastamentos Em meio aos desdobramentos, Mendonça ordenou o afastamento do chefe da Polícia Federal, medida que gerou divergências na Segunda Turma, mas acabou apoiada por outros magistrados. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo. Logo depois, Fachin anulou ambas as determinações, retirou a relatoria do inquérito das mãos de Moraes e agendou para o dia 15 a votação em plenário que definirá se o magistrado será investigado pelas ligações com o ex-banqueiro.

Perspectivas na Suprema Corte Atualmente ocupando o cargo de vice-presidente da instituição, o magistrado tem previsão de assumir a presidência do STF em 2027, caso permaneça no tribunal após a conclusão dos julgamentos e análises dos recursos em andamento.