O empresário Luiz Donaduzzi, fundador do Biopark juntamente com Carmen Donaduzzi, assumiu o compromisso de viabilizar cem mil bolsas de estudo nos próximos trinta anos. A estratégia coloca a educação no centro do desenvolvimento econômico de Toledo, município localizado na região Oeste do Paraná. O plano abrange as três frentes da Donaduzzi Educação, englobando o colégio, a academia e a faculdade, com o intuito de ampliar o acesso à formação, qualificar trabalhadores e atrair novas empresas para o interior do estado.
Financiamento de longo prazo e patrimônio próprio Esse compromisso integra um projeto de longo prazo sustentado principalmente pelo patrimônio dos próprios criadores. Desde o ano de 2016, o casal investiu quinhentos e doze milhões de reais em recursos particulares no Biopark, ecossistema de inovação que atualmente abriga cerca de cento e setenta empresas em Toledo. Luiz Donaduzzi relata que ele e Carmen planejam destinar metade de sua fortuna para garantir a continuidade do empreendimento, abrangendo infraestrutura escolar, bolsas de estudo, laboratórios e projetos de pesquisa.
Mudança de rumo na ocupação urbana A forte aposta na capacitação educacional marca uma guinada na estratégia original do projeto. Concebido para desenvolver simultaneamente uma zona urbana, atrair negócios e preparar profissionais, o complexo cresceu de forma acelerada na frente empresarial, mas encontrou ritmo mais lento no setor residencial. Embora agrupe cerca de cento e setenta companhias, o local conta com aproximadamente duzentos e sessenta moradores fixos, número bem abaixo dos dois mil inicialmente projetados para o período.
Essa dinâmica exigiu uma revisão nas premissas da gestão, que concluiu que a mera oferta de terrenos e subsídios fiscais não bastava para atrair corporações e fixar famílias na região. A qualificação de pessoas passou a ser tratada como a infraestrutura indispensável para impulsionar o crescimento econômico.
“Uma empresa não se instala apenas por um terreno mais barato. Ela precisa de mão de obra qualificada, de fornecedores e de clientes próximos. Quando colocamos a educação como o principal motor de crescimento, as demais frentes acompanharam”, afirma Paulo Roberto Rocha, vice-presidente do Biopark.
Integração entre ensino e empregabilidade A estrutura educacional atende desde a infância até o ensino superior. O Colégio Donaduzzi foca na educação básica, a Academia Donaduzzi oferece programas complementares em áreas como robótica, programação, ciências, música e gastronomia, enquanto a Faculdade Donaduzzi concentra a graduação com treze cursos presenciais. Atualmente, cerca de mil e setecentos alunos estão matriculados, vindos de trinta e um municípios e seis estados diferentes.
Na faculdade, a política de bolsas está diretamente ligada à inserção no mercado de trabalho. Alunos que não conseguem colocação profissional logo no primeiro ano de curso têm as mensalidades custeadas pela instituição. Assim que conquistam um emprego, deixam de receber o auxílio, permitindo que os recursos sejam repassados a novos estudantes. Com esse formato, mais de noventa por cento dos acadêmicos garantem trabalho já no primeiro ano de graduação, sendo absorvidos em grande parte pelas companhias do próprio parque tecnológico.
Parcerias públicas e expansão universitária O polo também abriga instituições federais de ensino. A Universidade Federal do Paraná mantém no local seu curso de Medicina em Toledo, e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná desenvolve atividades acadêmicas e científicas. Além disso, o Instituto Federal do Paraná recebeu autorização ministerial para transformar sua unidade local em campus autônomo, com uma nova estrutura prevista para julho de 2027 que atenderá até mil e quatrocentos estudantes.
A presença do poder público reforça a estratégia de unir estudantes, cientistas e corporações no mesmo ambiente. Alunos da rede estadual com altas habilidades também frequentam o complexo no contraturno para realizar pesquisas científicas. “A intenção é ampliar a parceria e levar o modelo para outras regiões do Paraná”, afirma Roni Miranda, secretário de Estado da Educação do Paraná.
Pesquisa aplicada voltada para as demandas da indústria A conexão entre ensino e economia também direciona os estudos científicos desenvolvidos no parque. Em vez de criar tecnologias sem rumo certo, o ecossistema mapeia desafios apresentados por setores industriais para buscar soluções práticas. Na cadeia de alimentos, um levantamento com dez grandes empresas identificou cento e nove problemas que passaram a guiar as linhas de pesquisa, mobilizando mais de cinquenta milhões de reais em investimentos públicos e privados.
Para sustentar essa expansão científica e industrial, o Biopark tem diversificado suas fontes de financiamento. Em 2026, o complexo obteve cem milhões de reais dos mantenedores e cerca de trinta e seis milhões de reais em captações externas, atingindo o maior volume anual de aportes desde sua fundação. A participação financeira da família fundadora, que já representou oighty-five por cento dos recursos, caiu para cerca de setenta por cento no período atual. “O nosso objetivo é chegar a zero”, afirma Rocha, projetando a independência financeira total dos criadores em relação ao futuro do empreendimento.

