O magnata venezuelano Alejandro Betancourt, anteriormente alvo de investigações federais por suposta lavagem de dinheiro ligado à estatal PDVSA, transformou-se no principal aliado estratégico do governo norte-americano em um inédito pacto energético de longo prazo.
A parceria estratégica com o Pentágono
Pelo acordo recente, o Escritório de Capital Estratégico do Pentágono garantiu uma fatia de 35% na North American Blue Energy Partners (NABEP), produtora comandada por Betancourt. Com essa manobra, Washington assegura acesso direto a aproximadamente um quinto das colossais reservas petrolíferas da Venezuela pelas próximas décadas.
O Departamento de Estado também assegurou o direito de adquirir 20% da extração da NABEP a preço de custo, além de preferência na compra do restante da produção. Fontes ligadas à diplomacia americana apontam que a experiência prévia da empresa em território venezuelano foi determinante para escolhê-la como peça central na retomada da produção de óleo bruto.
Cooperação com Washington e queda de regime
A guinada na trajetória do empresário ocorreu após ele atuar como informante e estrategista nos bastidores da operação militar realizada em 3 de janeiro, que resultou na destituição e prisão de Nicolás Maduro. Meses antes da captura do líder autoritário, Betancourt repassou inteligência crucial que viabilizou o bloqueio naval contra petroleiros sancionados, interceptando mais de doze embarcações.
Além da ajuda militar, o bilionário facilitou o diálogo político com nomes como Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina do país. Desde então, ele participou de negociações que viabilizaram a exportação de mais de 135 milhões de barris de petróleo bruto para mercados internacionais, incluindo os Estados Unidos, Europa, Caribe e Índia.
Encerramento de investigações internacionais
Antes de consolidar a parceria com o governo norte-americano, Betancourt era alvo de apurações nos Estados Unidos, Espanha e Suíça por um suposto esquema de desvio de mais de US$ 1 bilhão da PDVSA, utilizando para isso investimentos imobiliários em Miami e contas na Europa. No entanto, promotores na Flórida encerraram as investigações no início deste ano após pressão de instâncias superiores.
O encerramento das frentes jurídicas também impactou a Europa. Autoridades dos Estados Unidos pressionaram o governo suíço a abrandar as apurações contra o magnata, resultando na retirada de um pedido de extradição que tramitava no Reino Unido. Especialistas apontam que a manobra diplomática e judicial reflete a nova prioridade geopolítica de Washington na América do Sul.

















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