Investigacoes conduzidas pela Policia Federal apontam que o Banco Master operava como uma estrutura voltada para a fabricacao sistematica de documentos falsificados, utilizados para sustentar operacoes bilionarias de cessao de creditos com o Banco de Brasília (BRB).
Publicidade e quebra de sigilo Os detalhes do esquema vieram a público após a decisao do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo das principais investigacoes em andamento contra a instituicao financeira comandada por Daniel Vorcaro, apontada como o maior caso de fraude bancaria do país.
Entre o material apreendido durante a Operação Compliance Zero, destaca-se uma apresentacao interna que detalha um processo complexo de irregularidades, abrangendo desde a captacao indevida de dados de clientes ate a emissão e o envio de papéis falsos.
Envolvimento interno e uso de dados Segundo a apuracao policial, a engrenagem fraudulenta contava com a participacao ativa de empregados de diferentes niveis hierarquicos, englobando desde gerentes e diretores ate profissionais dos setores de tecnologia e operacoes.
Informacoes de clientes vinculados ao CredCesta, o programa de credito consignado da instituicao, eram aproveitadas de forma irregular para emitir Cédulas de Crédito Bancário, alem de procurações e termos de consentimento adulterados. Esse lote de documentos falsos servia de base para viabilizar a comercializacao dos creditos destinados ao BRB.
Ordens internas e comprovantes manipulados Mensagens obtidas pelos investigadores mostram a pressao exercida dentro da instituicao. Em um dos trechos, um gestor cobra de uma funcionaria a entrega de comprovantes desprovidos de dados essenciais de identificação. Diante da negativa da colaboradora devido ao volume inviavel de alteracoes, a ordem foi direta: a situacao precisava ser resolvida a qualquer custo.
Para a PF, o dialogo comprova a producao deliberada de comprovantes de transacao adulterados, integrando uma rotina corporativa voltada para a burlar controles.
Volume de negocios e gestão fraudulenta As auditorias da corporação mapearam transacoes cruzadas entre o Master e o BRB que atingiram a marca de R$ 47,8 bilhões, sendo R$ 31,8 bilhões referentes exclusivamente à comercializacao de carteiras de credito da instituicao brasiliense.
O relatorio aponta um padrão de conduta que inclui liberação de recursos antes de pareceres tecnicos, fracionamento de compras para driblar alçadas de diretoria, forte concentração de negocios em um unico parceiro e manutencao dos aportes mesmo diante de avisos de risco.
Para os peritos, o conjunto de acoes repetidas e intencionais extrapola uma simples administracao de risco, caracterizando um quadro evidente de gestao fraudulenta na negociacao das carteiras de credito.
















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