Ataque a Meca cruza linha vermelha, diz Arábia Saudita

Arábia Saudita chama tentativa de ataque a Meca de ‘linha vermelha’; houthis negam autoria

O governo da Arábia Saudita classificou como uma “linha vermelha” a recente tentativa de ataque a Meca, a cidade mais sagrada do Islã, atribuída aos rebeldes houthis do Iêmen. Riad informou que um drone foi interceptado e destruído antes de atingir o espaço aéreo do município situado a cerca de 1.100 quilômetros da fronteira iemenita.

Reação internacional e pacto de defesa

A milícia xiita, que conta com o apoio do Irã, negou qualquer envolvimento na investida. O episódio gerou forte condenação por parte de nações do Golfo, do Paquistão e da Organização para a Cooperação Islâmica, que reúne mais de 57 países muçulmanos e apontou violação da santidade dos locais sagrados.

Este incidente marca o primeiro teste prático de um novo acordo de segurança que envolve a Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão. Apesar disso, autoridades paquistanesas e turcas confirmaram que Riad não acionou o pacto para obter suporte militar na resposta à ameaça. Segundo dados da coalizão militar liderada pelos sauditas, esta foi a segunda vez que a cidade sofreu uma tentativa de agressão, sendo a primeira registrada em 2017 com o disparo de um míssil balístico.

Impacto no setor energético e rota do petróleo

A nova onda de pressão sobre os sauditas também afeta o mercado global de energia. Um duto crucial de petróleo permanece inoperante após uma investida ligada a milícias apoiadas por Teerã no Iraque. Simultaneamente, os houthis mantêm ofensivas contra embarcações no Mar Vermelho e infraestruturas no território saudita, ampliando sua influência estratégica na região.

No âmbito diplomático, o chanceler da China, Wang Yi, recebeu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em Pequim. Durante o encontro, o representante chinês apelou por moderação entre Washington e Teerã e cobrou a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Embora tenha havido uma leve recuperação para uma média de 5 a 7 milhões de barris diários, o fluxo segue abaixo da metade do volume registrado antes do início dos confrontos em 28 de fevereiro.

Posição dos Estados Unidos e diplomacia internacional

Do lado norte-americano, a administração de Donald Trump ainda não demonstrou intenção de intervir diretamente nos combates. O presidente declarou recentemente que os rebeldes iemenitas entraram em contato com Washington para sinalizar que não desejam um confronto direto. O vice-presidente J.D. Vance acrescentou que a Casa Branca mantém canais de diálogo abertos com ambos os lados envolvidos.

Enquanto Pequim busca manter uma postura de distanciamento militar direto, o presidente Xi Jinping reiterou a disposição do país asiático em mediar o fim das hostilidades no Oriente Médio, demonstrando preocupação com a expansão dos combates para o Iêmen e as rotas marítimas vitais para o comércio global.