As vendas do comércio varejista brasileiro registraram uma retração de 0,8% na passagem de junho para julho, impulsionadas pelo efeito de desaceleração pós-evento esportivo global.
Desaceleração nos indicadores
Com o recuo mensal, o desempenho acumulado em 12 meses arrefeceu para 1,6%. No mesmo sentido, a média móvel trimestral apontou uma variação negativa de 0,1%, sinalizando uma acomodação na tendência recente do setor. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Mensal de Comércio.
Desempenho dos setores
O impacto negativo foi disseminado, atingindo cinco das oito atividades investigadas pelo levantamento oficial. O setor de móveis e eletrodomésticos liderou as perdas com queda de 4,9%, seguido por livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%).
Em contrapartida, registraram alta os segmentos de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%), além de combustíveis e lubrificantes (0,3%).
O fator Copa do Mundo
Especialistas apontam que a baixa em setores como eletrônicos e vestuário decorre de uma alta base de comparação criada pelos meses anteriores, quando consumidores anteciparam aquisições de televisores e itens temáticos. Com a concentração das compras em maio, julho sofreu com a descompressão da demanda.
Apesar da baixa mensal, o setor produtivo permanece 10,6% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020, embora ainda figure 1,5% abaixo do recorde histórico alcançado em março deste ano.
Comércio ampliado e cenário macroeconômico
Considerando o comércio varejista ampliado, que engloba o atacado de veículos, motos, materiais de construção e combustíveis, houve um avanço de 0,4% em relação a junho, com alta de 1,2% no acumulado de 12 meses. O cenário se completa com os demais indicadores recentes do IBGE, que mostraram estabilidade no setor de serviços e alta de 0,2% na indústria no mesmo período.
















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