Alex Saab, aliado de Maduro, se declara culpado nos EUA

‘Testa de ferro’ de Maduro muda versão e se declara culpado por lavagem de dinheiro nos EUA

O empresário colombiano Alex Saab, apontado como o principal operador financeiro do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, reverteu sua posição jurídica e se declarou culpado por conspiração para lavagem de dinheiro durante audiência realizada em Miami.

Acordo de delação e devolução de valores

Diante da juíza distrital Kathleen Williams, Saab abandonou a inocência que sustentava desde sua extradição anterior. Como desdobramento de um acordo com a promotoria norte-americana, o réu concordou em colaborar ativamente com as investigações federais em andamento. Além da cooperação, o colombiano comprometeu-se a restituir a quantia de US$ 195 milhões, montante desviado por meio de esquemas de corrupção.

Origem das acusações e desvio de verbas

As acusações formais apontam que o esquema criminoso envolveu o desvio de verbas destinadas a programas de assistência social voltados para a população vulnerável da Venezuela. Os fundos ilícitos foram movimentados por meio de contas bancárias nos Estados Unidos. Embora o crime de lavagem de dinheiro preveja uma pena máxima de 20 anos de reclusão, os promotores aceitaram recomendar uma sentença branda devido à delação.

Histórico de prisões e reviravoltas políticas

A trajetória judicial de Saab inclui uma prisão anterior em Cabo Verde no ano de 2020, culminando em sua extradição para solo norte-americano na época, por desvios estimados em US$ 350 milhões via propinas. Em dezembro de 2023, o então presidente Joe Biden concedeu perdão ao empresário em uma operação de troca de prisioneiros.

Posteriormente, Saab assumiu o comando do Ministério da Indústria na administração de Maduro, cargo que ocupou até janeiro, quando a presidente interina Delcy Rodríguez determinou sua exoneração após a captura do ex-ditador por forças especiais dos Estados Unidos em Caracas. Novamente detido pelas autoridades locais no mês seguinte, ele acabou deportado de volta para território norte-americano em maio.

Enquanto isso, Nicolás Maduro permanece detido sem direito a fiança em uma prisão de segurança máxima no Brooklyn, Nova York, respondendo a acusações de tráfico de drogas. A defesa do ex-governante alega imunidade diplomática por ter chefiado um Estado soberano, tese vista com ceticismo por especialistas jurídicos, visto que Washington não o reconhecia legitimamente desde 2019. O julgamento de Maduro foi agendado para 1º de junho de 2027.