Duas entidades baianas ligadas a um ex-sócio do Banco Master concentravam mais de 103 mil autorizações para descontos em folha de pagamento de servidores públicos, gerando uma carteira estimada em R$ 1 bilhão. Os dados integram uma investigação da Polícia Federal sobre supostas fraudes em operações de crédito negociadas com o BRB, após a quebra de sigilo autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
Divergências nos repasses apontadas pelo Banco Central
Inicialmente, o Banco Master informou ao Banco Central que a Asteba e a Asseba eram a base de créditos consignados que compunham uma carteira de R$ 6,7 bilhões repassada ao BRB. No entanto, análises nos sistemas do governo da Bahia revelaram que os valores cobrados dos servidores correspondiam a mensalidades e serviços associativos, e não a parcelas de empréstimos.
Outro ponto de conflito no inquérito envolve a presença de CPFs de diversos Estados e uma movimentação financeira incompatível com o volume declarado. Após questionamentos da autoridade monetária, o banco alterou sua versão e apontou outra empresa como origem dos créditos, embora esta também apresentasse laços financeiros restritos unicamente à instituição de Daniel Vorcaro.
Impacto financeiro e revenda de ativos
Apesar das inconsistências apontadas, os ativos foram repassados ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões, valor que incluiu um prêmio expressivo de R$ 5,5 bilhões. Auditorias indicam que o banco público pode ter amargado prejuízos superiores a R$ 5 bilhões com o negócio.
As investigações levaram à deflagração da Operação Compliance Zero, que cumpriu mandados de busca contra as associações e resultou na prisão temporária do ex-sócio Augusto Lima, posteriormente liberado com uso de tornozeleira eletrônica. O Ministério Público Federal aponta que o empresário exercia controle oculto sobre as entidades, utilizando endereços e contatos corporativos compartilhados.
Posicionamento da defesa e desdobramentos
A defesa do empresário contesta veementemente as acusações, argumentando que o próprio Master repassou informações equivocadas ao Banco Central sem o aval de Lima. Os advogados também enfatizam que ele já havia se desligado da instituição financeira meses antes da operação policial e que mantinha apenas contratos legítimos de prestação de serviços com as entidades investigadas.
Enquanto o Ministério Público e a Polícia Federal aprofundam a apuração sobre o esquema que envolve a expansão de produtos como o Credcesta, os representantes legais reforçam a convicção na inocência do cliente. Até o momento, as associações citadas e a Secretaria da Administração da Bahia não se pronunciaram sobre os apontamentos do inquérito.
















Leave a Reply