PF investiga contratos de R$ 80 milhões em BH na Overclean

Desdobramento da Overclean mira contratos de R$ 80 milhões em BH e cumpre mandados em 6 cidades

A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (17), a décima etapa da Operação Overclean, que tem como foco apurar supostas irregularidades em licitações da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. As investigações concentram-se em acordos firmados entre 2024 e 2025 para a aquisição de materiais didáticos e prestação de serviços educacionais.

Alvos e abrangência da operação

As autoridades cumpriram 24 mandados de busca e apreensão espalhados por seis estados brasileiros: Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. O objetivo é desarticular uma suposta organização criminosa que atuava no direcionamento de concorrências públicas na administração municipal.

De acordo com levantamentos preliminares da corporação, ao menos três processos de contratação sob suspeita somam montantes superiores a R$ 80 milhões.

Envolvimento de ex-gestores públicos

O foco dos investigadores está na análise de como os trâmites licitatórios foram conduzidos, avaliando a participação conjunta de servidores públicos e empresários para beneficiar fornecedores específicos. Entre os principais alvos desta fase está Bruno Barral, que comandou a pasta de Educação na capital mineira e também atuou no mesmo cargo na Prefeitura de Salvador durante a gestão de ACM Neto.

Os crimes apontados no inquérito incluem fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha.

Decisão do STF e histórico

Durante o andamento das diligências, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para cumprir mandados ligados a ACM Neto, atualmente candidato ao governo baiano pelo União Brasil. A Procuradoria-Geral da República foi favorável à medida, mas o pedido acabou sendo rejeitado pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator do processo na corte suprema.

Iniciada em dezembro de 2024, a Operação Overclean começou a partir de indícios de corrupção na Bahia e expandiu o escopo para outros estados. O caso chegou ao STF devido ao envolvimento de autoridades com foro privilegiado, contando com a atuação conjunta da Controladoria-Geral da União e da Receita Federal. Até o momento, 25 pessoas já foram indiciadas no âmbito das investigações.