Governo eleva Bolsa Família a 17 dias das eleições no Brasil

Com desaprovação em alta, Lula aumenta Bolsa Família a 17 dias da eleição

A apenas 17 dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para o próximo dia 4 de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de 15% nos repasses do Bolsa Família.

Novos valores do Bolsa Família

Com a medida, o piso do principal programa de transferência de renda do país saltará dos atuais R$ 600, valor estabelecido ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, para R$ 691.

Além disso, o benefício médio pago às famílias brasileiras experimentará um incremento, passando de R$ 675 para R$ 777. Até o momento, todavia, a administração federal não especificou a data exata em que os novos montantes começarão a ser depositados para os beneficiários.

Impacto nas contas públicas

Projeções divulgadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento indicam que a alteração nos repasses gerará um impacto financeiro de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.

Segundo o ministro Bruno Moretti, o percentual de acréscimo representa uma recomposição inflacionária acumulada desde o início da atual gestão, em janeiro de 2023, até o mês de agosto de 2026. Curiosamente, no mês passado, a proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional não contemplava nenhuma revisão nos valores do programa social.

Quem tem direito ao programa

Para ingressar e receber o auxílio, o cidadão deve possuir renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa, além de manter o Cadastro Único rigorosamente atualizado. Também são exigidas contrapartidas obrigatórias nas áreas de saúde e educação.

No mês de agosto, o programa alcançou aproximadamente 19,3 milhões de lares em todo o território nacional. A estrutura de pagamentos inclui ainda adicionais específicos, como R$ 150 por criança de até 6 anos, e R$ 50 destinados a gestantes, jovens entre 7 e 18 anos incompletos, e bebês de até 6 meses.

Cenário político e pesquisas eleitorais

O anúncio do reajuste ocorre em um momento de desgaste político, marcado por índices elevados de rejeição e pela perda de espaço do petista nas pesquisas de intenção de voto frente ao seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.

Levantamento do instituto Futura/100% Cidades aponta que Flávio lidera o cenário de segundo turno com 48,1% da preferência do eleitorado, contra 43,7% de Lula. O estudo também aponta derrotas do atual chefe do Executivo em eventuais disputas contra Augusto Cury e Ronaldo Caiado, mantendo vantagem apenas sobre Renan Santos e Romeu Zema.

O mesmo levantamento acende o sinal amarelo para o Palácio do Planalto ao revelar que 53,1% dos brasileiros desaprovam a atual administração, enquanto 44,1% aprovam. Para 47,2% dos consultados, o governo é considerado ruim ou péssimo, ao passo que 36,5% o classificam como bom ou ótimo.