Daniel Vorcaro chama projeto social de ex-chefe do BC de ‘circo’

Vorcaro chamou de ‘circo’ projeto social de ex-chefe do BC usado para propina

O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, classificou como “circo” um projeto social associado a um ex-dirigente do Banco Central. A declaração consta em mensagens de texto exibidas pela Polícia Federal durante depoimento prestado por videoconferência a partir de Brasília.

Investigação e contratos sob suspeita O material foi apresentado pelo delegado federal quando Vorcaro foi questionado sobre o envolvimento de Belline Santana, ex-chefe de supervisão do BC. Na tela exibida durante a oitiva, o banqueiro aparece respondendo com a palavra “circo” ao receber o contrato assinado por Santana, enviado por seu cunhado e sócio, Fabiano Zettel.

Questionado pela autoridade policial se a expressão indicaria que a iniciativa beneficente era fictícia, o executivo negou veementemente. Ele argumentou que a palavra foi utilizada em tom de brincadeira, fruto da informalidade na relação com o familiar, embora tenha admitido não se lembrar do contexto exato da conversa digital.

Repasses milionários e justificativas Conforme apurado nas investigações, o ex-integrante do órgão regulador recebeu aproximadamente R$ 3,8 milhões entre o final de 2023 e o término de 2025. Os valores foram repassados por meio de empresas ligadas ao banqueiro, como Varajo Consultoria, Super Empreendimentos e Participações e Moriah Asset.

Em sua defesa perante os investigadores, o fundador do Banco Master afirmou ter estipulado apenas um teto inicial de investimentos para a ação social, na faixa de R$ 2 milhões com perspectiva de expansão, delegando a gestão operacional ao seu cunhado.

Cuidados com a imagem institucional Trechos das mensagens revelam ainda a preocupação do investigado com a origem dos recursos utilizados para os pagamentos. Em conversas com funcionárias, ele ordenou que os valores deixassem de ser canalizados pela empresa Super, chegando a questionar se o responsável estaria “doido” ao notar que a instrução não havia sido cumprida.

Indagado se o receio estava associado ao cargo público ocupado por Belline Santana, o banqueiro confirmou. Ele justificou que havia um cuidado redobrado para evitar qualquer interpretação equivocada sobre a natureza dos repasses devido à função exercida pelo beneficiário na autoridade monetária.

Por fim, o executivo negou ter solicitado ou obtido qualquer tipo de favorecimento de servidores públicos. Segundo seu relato, logo no primeiro contato com o ex-chefe de supervisão do BC, ele próprio teria questionado a legalidade da participação de um funcionário público em projetos sociais, recebendo como resposta que o caso seria submetido formalmente à Corregedoria do órgão.