O Banco Central divulgou que o montante de dinheiro esquecido em instituições financeiras atingiu R$ 5,79 bilhões até agosto de 2026. A quantia, que pode ser consultada por empresas, pessoas físicas e até mesmo no caso de falecidos, apresentou alta de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior.
Onde estão os recursos disponíveis
Do total acumulado, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas, enquanto outros R$ 1,48 bilhão são destinados a 2,36 milhões de empresas. O dinheiro está concentrado principalmente nos bancos, que reúnem R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% de tudo o que está disponível.
Administradoras de consórcios respondem por R$ 1,97 bilhão, e as cooperativas de crédito acumulam R$ 805,6 milhões. O restante se divide entre instituições de pagamento, financeiras, corretoras e distribuidoras. A maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas: 69,4% dos valores são de até R$ 10, e apenas 2,21% superam R$ 1 mil.
Como fazer a consulta e o resgate
A verificação dos saldos deve ser feita exclusivamente por meio do Sistema Valores a Receber (SVR). O procedimento exige informar o CPF e a data de nascimento para pessoas físicas, ou os dados cadastrais da empresa. Para efetuar o resgate, é preciso utilizar uma conta Gov.br de nível prata ou ouro.
Caso a devolução por Pix esteja habilitada, o dinheiro cai na conta em até 12 dias úteis. Quem não possui chave Pix precisa entrar em contato direto com a instituição indicada pela plataforma. No caso de titulares falecidos, herdeiros e inventariantes podem realizar os procedimentos seguindo as exigências do sistema.
Origem dos valores e alerta contra fraudes
Os saldos esquecidos geralmente derivam de contas correntes ou poupanças encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, cotas de consórcios e sobras líquidas de cooperativas. O Banco Central reforça que o serviço de consulta é totalmente gratuito e alerta para golpes: nenhuma taxa deve ser paga a intermediários e a autarquia não envia links por mensagem.
Em maio, o governo transferiu cerca de R$ 5,7 bilhões desses recursos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO) do Desenrola 2.0, mantendo 10% do saldo reservado para eventuais resgates. A operação financeira atualmente é alvo de investigação no Tribunal de Contas da União devido ao uso de verbas fora do Orçamento federal.

