Marabraz pede proteção judicial e manutenção de serviços essenciais

Marabraz pede manutenção de serviços essenciais e proteção de 180 dias contra credores

A rede varejista Marabraz movimentou o meio jurídico e empresarial ao solicitar à Justiça paulista uma proteção de 180 dias contra cobranças de credores. O pedido faz parte de uma emenda à petição de recuperação judicial protocolada pela companhia, que acumula dívidas estimadas em R$ 140 milhões.

Pedidos de urgência e bloqueios

Na petição, a empresa requer a suspensão imediata de execuções, a liberação de recursos financeiros retidos e a preservação de serviços essenciais para o funcionamento das filiais. Além disso, a varejista pede garantia de acesso a imóveis que foram retomados por locadores, permitindo a retirada segura de mercadorias.

A concessão antecipada dessas salvaguardas costuma ocorrer após o aceite oficial do processo, mas companhias em crise buscam adiantar os efeitos. Um precedente ocorreu com a concorrente Casas Bahia, que obteve o mesmo benefício durante a análise de sua reestruturação.

Conflitos com fornecedores e tecnologia

Um dos pontos centrais da briga judicial envolveu a gigante de tecnologia Oracle. A Marabraz alegou que o acesso a documentos contábeis vitais havia sido bloqueado, o que levou a Justiça a ordenar o restabelecimento do sistema. Por sua vez, a Oracle argumentou que o canal já estava liberado desde junho.

Outro atrito ocorreu com empresas de meios de pagamento. A Redecard contestou a inclusão de seus serviços na lista de essenciais, afirmando que o contrato foi rescindido em novembro devido a inadimplências e que a tecnologia de cobrança não impacta a fabricação de móveis. A Cielo também informou que a varejista não é sua cliente desde 2025.

Origem da crise e situação atual

Fundada em 1965, a marca atribui seu colapso financeiro a uma combinação de fatores. Entre eles estão a forte dependência de crédito para sustentar a operação de grande porte, a alta de juros e, principalmente, rupturas nas relações familiares entre os controladores, o que travou o patrimônio de sustentação e reduziu o fluxo de caixa.

Atualmente, o grupo possui 111 unidades registradas, mas apenas 25 seguem abertas. As demais 86 portas estão com atividades paralisadas temporariamente devido à falta de capital de giro para repor estoques e quitar obrigações trabalhistas. A administração judicial aguarda novos desdobramentos e a conclusão da perícia preliminar conduzida pela consultoria Deloitte.