Pesquisa: Flávio cresce no Nordeste e empata com Lula

Flávio encurta distância para Lula no Nordeste, mostra Quaest

Em um cenário de polarização acirrada na corrida eleitoral, uma simulação de segundo turno indica empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. No placar geral do levantamento, o parlamentar soma 42% das preferências contra 41% do atual presidente da República, impulsionado por um ganho de terreno na região Nordeste.

Oscilações regionais refletem agendas de campanha

O recorte geográfico aponta mudanças estratégicas no tabuleiro político. Em apenas uma semana, Flávio Bolsonaro avançou de 28% para 31% no Nordeste, enquanto Lula recuou de 60% para 57%. No sentido oposto, o petista ganhou fôlego no Sudeste, subindo de 31% para 36%, ao passo que o senador caiu de 47% para 43% na mesma localidade. As variações respeitam as margens de erro locais — quatro pontos percentuais no Nordeste e três no Sudeste — e coincidem com as viagens recentes dos pré-candidatos por essas regiões.

Nas outras partes do país, os números mostraram maior estabilidade. No agrupamento formado por Norte e Centro-Oeste, Flávio oscilou de 46% para 48% e Lula foi de 37% para 36%, sob margem de erro de cinco pontos. Já no Sul, as marcas permaneceram inalteradas: o senador manteve a liderança com 52% frente aos 30% do mandatário.

Divisão por religião e patamares de renda

O segmento religioso registrou um dos movimentos mais expressivos do levantamento. Entre o público evangélico, o senador registrou um salto de 51% para 58% em sete dias, período em que o presidente continuou com 28%. O crescimento coincide com embates envolvendo o Supremo Tribunal Federal e manifestações religiosas de parlamentares conservadores em torno do ministro André Mendonça. No eleitorado católico, a dianteira permanece com Lula, que manteve 46% contra 37% de Flávio (que registrava 38%).

A estratificação financeira também revela polarização clara:

Na faixa que recebe até dois salários mínimos, Lula mantém ampla vantagem (52% a 30%). No estrato de dois a cinco salários, observa-se empate técnico, com Flávio atingindo 43% e o petista somando 38%, dentro da margem de três pontos. Entre os eleitores com rendimentos superiores a cinco salários mínimos, o parlamentar dispara com 53% das intenções diante de 33% de Lula.

Comportamento por gênero, instrução e faixa etária

A preferência dos votantes varia consideravelmente conforme o perfil sociodemográfico:

O eleitorado feminino confere dianteira de sete pontos ao presidente petista (44% a 37%, após marcar 41% a 38%). Em contrapartida, os homens garantem margem de 11 pontos a favor do senador, com 48% a 37% (frente a 47% e 38% da semana anterior).

No quesito escolaridade, o petista lidera exclusivamente no grupo com ensino fundamental completo, onde vence por 50% a 35%. Nas faixas de ensino médio (45% a 36%) e superior completo (52% a 33%), o senador comanda a preferência.

Por fim, as faixas de idade apresentam quadro de equilíbrio técnico em todas as categorias. O senador tem ligeira vantagem numérica entre eleitores de 16 a 34 anos (43% a 38%, margem de quatro pontos) e de 35 a 59 anos (42% a 41%, margem de três pontos). Entre os idosos com 60 anos ou mais, Lula marca 45% ante 39% do opositor, dentro da margem de cinco pontos.

Os dados foram coletados pela Quaest entre os dias 17 e 20 de setembro, por meio de entrevistas com 2.004 eleitores em território nacional. O estudo tem nível de confiança fixado em 95% e consta no registro oficial do Tribunal Superior Eleitoral com o código BR-06004/2026.