Eurodeputados pedem sanções da UE contra Alexandre de Moraes

Eurodeputados pedem aplicação de sanções contra Moraes

Um grupo formado por três integrantes do Parlamento Europeu encaminhou uma carta formal nesta segunda-feira, 21, solicitando que a União Europeia avalie a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pedido enviado à alta cúpula da diplomacia europeia

O documento foi direcionado a Kaja Kallas, representante da alta cúpula da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança. A iniciativa é assinada pelos eurodeputados Adam Bielan, Carlo Fidanza e Mariusz Kaminski. Na mensagem, eles requerem que o Serviço Europeu para a Ação Externa (Eeas) analise denúncias sobre a atuação do magistrado brasileiro e deliberações da Corte em casos considerados de alta sensibilidade política.

Alegações de violação a direitos fundamentais

De acordo com os parlamentares, há indícios de possíveis infrações à liberdade de expressão, ao pluralismo político, ao devido processo legal e a outros preceitos fundamentais. Os autores argumentam que simples manifestações de preocupação diplomática são insuficientes, defendendo a implementação de medidas concretas frente ao cenário exposto.

A petição sugere que o bloco europeu verifique se a conduta atribuída a Moraes se enquadra no regime de punições da UE voltado a infrações de direitos humanos, fazendo menção também aos critérios aplicados pelos Estados Unidos por meio da legislação Global Magnitsky. Contudo, o texto ressalta que qualquer ação punitiva exigiria a comprovação de evidências sólidas sobre eventuais abusos.

Monitoramento das eleições no Brasil

Além das medidas contra o magistrado, o documento requer um acompanhamento independente do sistema eleitoral brasileiro. A proposta engloba o emprego de ferramentas diplomáticas e missões de observação para averiguar a lisura, a transparência e a liberdade do pleito.

O monitoramento sugerido abrangeria todas as etapas, desde a votação, apuração e divulgação de resultados até o ambiente político em si. Os eurodeputados citam a importância de observar o tratamento dispensado aos candidatos, o acesso aos meios de comunicação, eventuais restrições ao discurso público, a exclusão de conteúdos digitais e resoluções judiciais que impactem as campanhas, além dos mecanismos de contestação de irregularidades.

Citação a investigações e contratos

Para fundamentar o pedido de revisão sobre a conduta de Moraes, os signatários mencionam dados que teriam surgido em apurações da Polícia Federal. Entre os tópicos citados estão supostas conversas do ministro com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.

A carta também aborda um contrato firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. O acordo estipulava repasses de até R$ 130 milhões diluídos em 36 meses. Na época, a banca jurídica afirmou que realizou consultoria para o banco e que nunca atuou em processos do mesmo no âmbito do STF.

Por fim, os parlamentares relacionam tais apontamentos à condução de processos que resultaram na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo que o contexto exige uma apuração transparente sobre a imparcialidade do Judiciário brasileiro, embora o documento apresente as situações como alegações para embasar o pleito e não como juízo definitivo de culpa.