As buscas nos escombros do prédio que desabou na Penha, zona leste de São Paulo, foram encerradas neste domingo (13) após a localização do corpo de uma menina de sete anos, elevando para seis o total de vítimas fatais da tragédia.
Tragédia atinge família de imigrantes
A estrutura ruiu na madrugada de sábado na rua Tequici, atingindo em cheio uma residência vizinha onde morava uma família de imigrantes bolivianos. O local também funcionava como oficina de costura. Entre os mortos estão Edelmira Titicayo Limachi, 26, seu marido Brayan Gery Gutierrez, 29, o irmão dela Sergio Titicayo Limachi, Maria Elena Ramirez Titicayo, a filha dela Shaira Diana Chinó Ramirez, 7, e Ana Lucia Ruiz Romero, 38.
O Consulado da Bolívia informou que as vítimas moravam no Brasil havia nove anos e articula o transporte dos corpos para a cidade de Oruro, a pedido dos familiares. Outras duas pessoas, incluindo uma criança de cinco anos, foram resgatadas com vida e sofreram apenas ferimentos leves.
Investigação policial e prisões
A Polícia Civil prendeu Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da New Home Construtora, empresa responsável pelo empreendimento. A Justiça também decretou a prisão temporária do engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e representante legal da construtora, além de sua esposa Isis Brandão, que também figura como proprietária e é considerada foragida.
A defesa da construtora, representada pelo advogado Adelmo Silva, declarou que o casal deve se apresentar à polícia em breve e que havia uma decisão judicial de março de 2025 que permitia a continuidade dos trabalhos no local. A delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º DP, destacou que a análise documental sugere que os responsáveis tinham plena ciência da fragilidade da obra.
Irregularidades e histórico da construção
Levantamentos da Prefeitura de São Paulo indicam que a construção iniciada em 2019 acumulou embargos e multas por irregularidades. Em 2021, a Procuradoria Geral do Município acionou a Justiça para paralisar os trabalhos. Um novo alvará foi emitido em 2023 sob a condição de que a estrutura anterior fosse totalmente demolida para erguer um novo projeto.
Contudo, a investigação aponta que a construtora ignorou a ordem de demolição, mantendo os andares irregulares da edificação. O advogado da construtora alegou que o local estava com as atividades paralisadas por falta de verba e sugeriu que o acidente pode estar ligado a outra obra realizada na rua paralela.
Desdobramentos administrativos
Como desdobramento das apurações, a Subprefeitura da Penha determinou o afastamento por 30 dias da servidora pública responsável por vistoriar a obra em 2024 e certificar erroneamente que a demolição havia ocorrido.
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que vistorias com vizinhos e imagens de satélite comprovaram que a estrutura antiga nunca foi abaixo. A Controladoria-Geral do Município e a Polícia Civil seguem investigando o caso para apurar todas as responsabilidades criminais e administrativas pelo desabamento.




















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