Seguro fiança cresce e fatura R$ 2 bi no mercado de aluguel

Seguro fiança cresce com aluguéis

O mercado brasileiro de seguro fiança locatícia registrou uma expansão expressiva de quase quatro vezes no volume de arrecadação ao longo dos últimos seis anos.

Faturamento bilionário e alta no primeiro semestre

Em 2025, o faturamento das seguradoras com essa modalidade atingiu a marca de R$ 2 bilhões, um salto expressivo em relação aos R$ 510 milhões registrados em 2019, conforme dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A tendência de alta continuou firme em 2026, acumulando R$ 1,2 bilhão apenas no primeiro semestre — o que representa um crescimento de 30,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, as indenizações pagas também subiram 31,1%, totalizando R$ 380,3 milhões.

Mudanças demográficas e impacto dos juros

Esse aquecimento acompanha diretamente o encarecimento e a expansão do mercado de locação residencial. De acordo com o Censo do IBGE, o percentual de brasileiros residentes em imóveis alugados saltou de 12,3% no ano 2000 para 20,9% em 2022. Especialistas do setor apontam que esse comportamento reflete a junção de cenários econômicos desafiadores, como a taxa de juros elevada, com novas demandas comportamentais por flexibilidade habitacional.

A pandemia de covid-19 funcionou como um catalisador importante para essa transformação. O período de instabilidade econômica gerou uma mudança de mentalidade nos consumidores, que passaram a enxergar a necessidade de contar com uma garantia de locação muito mais sólida e segura do que a figura tradicional do fiador.

Fim dos constrangimentos e preferência nas capitais

A profissionalização das garantias locatícias eliminou a necessidade de inquilinos precisarem recorrer a favores de amigos e familiares para conseguir um avalista. Por essa razão, a demanda se concentra de forma massiva nos grandes centros urbanos. Em municípios menores do interior, a obtenção de um fiador ainda permanece como uma alternativa culturalmente mais acessível. Na média, o custo anual das apólices costuma equivaler a cerca de 1,5 mês de aluguel.

Mesmo com esse investimento financeiro, o seguro-fiança consolidou-se como a ferramenta de garantia predominante na capital paulista. Levantamento do Creci-SP mostra que a modalidade lidera com 36,5% dos contratos de locação de casas e apartamentos, superando o depósito-caución (28,2%), o fiador (22,9%) e o título de capitalização (5,5%).

Liderança de mercado e concorrência

No cenário corporativo, empresas pioneiras mantêm ritmo acelerado de expansão, registrando altas anuais de aproximadamente 20% na modalidade nos últimos quatro anos. Atualmente, a Porto detém 52% de participação nesse mercado, uma fatia que chegou a ultrapassar 95% na década passada, antes da entrada de novos concorrentes de peso no segmento a partir de 2019.