Representantes de entidades conveniadas à Prefeitura de São Paulo foram surpreendidos com um ambiente de forte teor eleitoral durante um jantar na capital. Na ocasião, a titular da pasta de Assistência Social, Eliana Gomes, utilizou o encontro para divulgar um reajuste de 5,5% nos repasses públicos ao setor, em um espaço decorado com material de propaganda política da primeira-dama Regina Nunes (MDB) e do ex-secretário Sidney Cruz (MDB).
Propaganda eleitoral e promessa de repasse
O encontro aconteceu na tradicional Pizzaria Moraes, fundada em 1933 no bairro do Bexiga. Embora o convite oficial falasse apenas em uma conversa institucional para “dialogar sobre os desafios e as perspectivas da assistência social em nossa cidade”, o salão contava com telão transmitindo peças de campanha e cartazes promovendo as candidaturas de Regina a deputada estadual e de Cruz a deputado federal.
Durante a reunião, a secretária informou aos gestores presentes que a portaria com a correção financeira de 5,5% seria publicada na edição seguinte do Diário Oficial. Logo após o término do evento, a gestora reforçou a promessa em suas redes sociais, associando a conquista diretamente ao prefeito Ricardo Nunes.
Demanda antiga do setor e cenário político
A categoria vinha pressionando o poder público por melhorias financeiras desde o ano anterior. Em agosto, manifestantes chegaram a bloquear parcialmente o Viaduto do Chá para cobrar uma resposta da administração municipal. A viabilização dos novos valores começou a se desenhar dias antes, quando a prefeitura publicou um decreto remanejando verbas orçamentárias de outros setores para a Assistência Social.
No campo eleitoral, Sidney Cruz é vereador licenciado e apontado nos bastidores como um dos nomes cotados por Ricardo Nunes para a disputa municipal de 2028. Ao ser questionado sobre o jantar, Cruz declarou que não tinha qualquer conhecimento da realização daquela agenda. Vale lembrar que o prefeito e sua esposa já enfrentam apurações judiciais por improbidade administrativa relacionadas ao pagamento de um profissional audiovisual com recursos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos.
Contradições sobre o pagamento das despesas
A origem dos recursos utilizados para custear a noite gerou versões desencontradas. Inicialmente, a administração paulistana sustentou que os gastos tinham sido quitados pela própria secretária, cujo salário é de R$ 34,7 mil mensais, ressaltando que dinheiro público não foi empregado. Contudo, registros do Tribunal Superior Eleitoral não apontavam doações oficiais feitas por ela às campanhas em questão.
Em seguida, uma nova manifestação mudou a versão dos fatos, afirmando que a conta havia sido dividida entre os participantes. Entidades presentes, por sua vez, negaram ter realizado pagamentos pelo consumo. Em nota final, a prefeitura reforçou que o reajuste não possui relação com apoio político e assegurou que não autoriza o uso da máquina pública para mobilizações de caráter eleitoral.




















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