Camisas tailandesas: entenda a febre das réplicas no Brasil

A febre das camisas ‘tailandesas’ no Brasil

As ruas do comércio popular e as redes sociais brasileiras estão tomadas por uma nova febre: as chamadas camisas tailandesas de futebol. Reproduzindo mantos de clubes nacionais, equipes internacionais e seleções por uma fração do custo original, essas peças criaram um robusto mercado paralelo que movimenta milhões de unidades anualmente no país.

O que são as camisas tailandesas e sua origem real

Apesar do nome popular, o termo “tailandesa” nem sempre indica que a mercadoria veio da Tailândia. Na verdade, essa nomenclatura é utilizada pelo comércio para designar réplicas de alta qualidade, cuja fabricação ocorre majoritariamente em países asiáticos, com destaque para a China. Expressões como “1.1” também funcionam como alternativas para suavizar o termo “pirata”.

Cabe destacar que, juridicamente, a comercialização dessas peças configura falsificação. A reprodução não autorizada de marcas, escudos e símbolos protegidos viola leis brasileiras, que determinam sanções severas para quem produz, armazena ou comercializa itens contrafeitos.

Preços altos impulsionam o mercado de réplicas

O principal motor dessa febre é puramente econômico. Enquanto o acabamento, os tecidos e as costuras das falsificações evoluírem expressivamente, os valores dos produtos licenciados dispararam nos últimos anos.

Pesquisa realizada com os 20 times da Série A em 2026 revelou um preço médio de R$ 469,39 para os modelos masculinos e R$ 435,76 para os femininos. Um exemplo extremo é a camisa modelo jogador do Flamengo, comercializada oficialmente por R$ 799,99. Diante desses valores, torcedores sem condições ou disposição para gastar tanto encontram nas ruas e na internet alternativas muito mais baratas.

O impacto econômico da pirataria esportiva no país

Dados divulgados pela ÁPICE, em conjunto com o IEMI, mostram a real dimensão desse setor ilegal. Apenas em 2025, os torcedores brasileiros compraram 18,1 milhões de camisas de futebol falsas, o equivalente a quase 30% de todo o mercado de mantos esportivos no Brasil. No segmento esportivo geral, foram 225 milhões de itens piratas consumidos.

O avanço digital também é notório: em 2025, 44% das vendas de artigos esportivos piratas aconteceram via internet, superando os 37% registrados em 2023.

Apesar da popularidade, especialistas reforçam que a pirataria causa prejuízos severos à economia. O mercado ilegal gerou uma perda de R$ 31,8 bilhões para o setor formal em 2025, além de um rombo de R$ 7,4 bilhões em impostos não arrecadados, afetando clubes, fornecedores e empregos formais.

Em suma, o sucesso das camisas tailandesas expõe um conflito complexo entre a proteção da propriedade intelectual e o bolso do torcedor, dividido entre o alto custo dos produtos oficiais e a qualidade impressionante das réplicas paralelas.