PF flagra articulação de Daniel Vorcaro para manter chefe da CVM

Mensagens mostram articulação de Vorcaro para manter presidente da CVM

Investigações da Polícia Federal revelam que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, se articulou em 2025 para assegurar a permanência de Otto Lobo no comando da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O diálogo aponta o interesse do ex-banqueiro na liderança da autarquia federal que fiscaliza o mercado de capitais.

Diálogo entre banqueiro e advogado

Os registros das conversas mostram trocas de mensagens entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, que prestava serviços para a instituição financeira. Na época, em julho de 2025, Lobo havia assumido o cargo de forma interina após a saída repentina de João Pedro Nascimento, que renunciou com dois anos de mandato restantes por motivos pessoais.

No áudio enviado a Vorcaro, Soares relata que o chefe interino da CVM buscava aproximação com parlamentares para viabilizar sua indicação oficial pelo governo e posterior aprovação no Senado Federal. A estratégia envolvia acesso direto a senadores influentes na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Articulação com o Senado

O plano do advogado consistia em aproximar Lobo de parlamentares estratégicos, citando nominalmente o senador Otto Alencar, integrante da CAE, e o líder do governo na Casa, Jaques Wagner. Soares enfatizou a importância de trabalharem em conjunto pela recondução do dirigente, destacando que Lobo nutria simpatia por Vorcaro.

Diante da proposta, o ex-controlador do Banco Master demonstrou total entusiasmo com a possibilidade e prometeu acionar sua rede de contatos para concretizar a indicação. A parceria foi selada com o compromisso de atuação em frentes opostas para atingir o mesmo objetivo.

Repercussão e negativas

Questionados sobre o teor das mensagens, os citados negaram envolvimento em negociações ilícitas. A defesa de Otto Lobo argumentou que o diálogo com parlamentares faz parte da rotina institucional de autoridades que dependem de aval no Senado, embora o senador Otto Alencar tenha negado qualquer encontro ou relação com o dirigente da CVM.

Jaques Wagner também refutou a ocorrência da reunião mencionada nos diálogos e negou apoio ao Banco Master. Mesmo diante das polêmicas, Otto Lobo foi efetivado no cargo em 2026, após aprovação em sabatina na CAE e no plenário do Senado.

Investigações e penalidades

A gestão de Lobo na autarquia passou a ser escrutinada no âmbito das apurações que envolvem o Banco Master. O Tribunal de Contas da União passou a monitorar procedimentos da agência reguladora relacionados à instituição financeira.

Apesar das suspeitas, a autarquia defendeu sua atuação ao pontuar que aplicou sanções severas ao conglomerado, incluindo multas que somam duzentos milhões de reais ao grupo e vinte milhões direcionados especificamente a Daniel Vorcaro, enquanto outras denúncias seguem sob análise técnica.