Hugo Motta usou mansão de banqueiro preso em Brasília

Hugo Motta usou casa de Vorcaro em Brasília seis vezes antes da prisão do banqueiro, apontam mensagens

Dados obtidos pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro revelam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou a residência do banqueiro situada no Lago Sul, na capital federal, em seis ocasiões distintas durante o ano de 2025.

Cronologia das visitas ao imóvel

Os registros recuperados pelos investigadores mostram que a última utilização da mansão ocorreu em 17 de novembro de 2025, exato dia em que o dono do Banco Master foi detido no aeroporto de Guarulhos (SP). Naquela data, um funcionário do imóvel avisou o banqueiro sobre a presença do parlamentar durante a noite, gerando um diálogo em que o empregado pediu desculpas por não ter avisado com antecedência.

As conversas recuperadas demonstram que a aproximação e a autorização para o uso do espaço começaram em maio de 2025, poucos meses após o deputado assumir o comando da Casa legislativa. Em mensagens trocadas diretamente entre os dois, Vorcaro chegou a disponibilizar funcionários para atender o parlamentar e respondeu que a casa estava liberada para uso sempre que estivesse ausente.

Histórico de empréstimos e reuniões

A relação entre o político e o empresário não se restringe à capital federal. Registros anteriores, datados de outubro de 2024, mostram que Motta também utilizou um apartamento de Vorcaro em São Paulo, ocasião em que pediu permissão para receber o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para uma reunião privada.

Além da cessão de imóveis, a apuração da Polícia Federal examina conversas sobre negócios e um empréstimo de R$ 22 milhões realizado pelo Banco Master em favor de uma empresa pertencente à cunhada do parlamentar. A operação teria sido pedida diretamente pelo deputado, segundo os indícios levantados.

Questionado sobre os fatos revelados pelas investigações e pelas mensagens extraídas dos dispositivos apreendidos, o deputado preferiu não se manifestar, enquanto sua defesa e aliados mantêm a negativa sobre a ocorrência de quaisquer irregularidades nas transações ou nos encontros.