PL conquista maior bancada da Câmara dos Deputados desde 1990

PL forma a maior bancada da Câmara desde 1990

O Partido Liberal (PL) alcançou um feito histórico na política brasileira ao eleger 121 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara dos Deputados desde o ano de 1990, quando o então PMDB conquistou 108 cadeiras. O desempenho expressivo fortalece consideravelmente a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro no Poder Legislativo.

O peso dos recordes nominais

O avanço estrondoso da legenda foi puxado principalmente por dois grandes nomes da direita brasileira: Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, e Lucas Pavanato, em São Paulo. Ambos romperam a impressionante marca de 3 milhões de votos, figurando no topo da lista de candidatos mais votados em todo o território nacional.

Embora os dados consolidados dos dois maiores colégios eleitorais do país ainda não estivessem totalmente oficializados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a projeção detalhada das bancadas foi calculada diretamente pela Câmara com base nas urnas.

Comparativo histórico no Congresso

Com essa proporção, a legenda atinge um patamar raramente visto nas últimas décadas da democracia brasileira. Para se ter uma ideia, em 1986, durante o processo de redemocratização, o MDB obteve 260 vagas. Nos pleitos seguintes, os números caíram: 108 em 1990, 107 em 1994, e 105 do PFL em 1998, aliado do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mesmo o crescimento do PSDB nos anos 90, que saltou de força média para pilar da base governista ao lado do PFL e do PMDB — elegendo 63 deputados em 1994 e 99 em 1998 —, ficou abaixo do impacto atual gerado pelo PL.

O fenômeno em Minas Gerais e São Paulo

Em solo mineiro, Nikolas Ferreira, de 30 anos, quase triplicou sua votação em relação ao pleito anterior. Tendo sido o deputado mais votado do Brasil em 2022, ele acumulou mais de 3,1 milhões de votos, batendo o recorde histórico estabelecido por Eduardo Bolsonaro em 2018. Focado em pautas conservadoras e de costumes, o parlamentar ajudou o PL a abocanhar 21 das 53 cadeiras mineiras na Casa, correspondendo a cerca de 40% da representação do Estado.

Por sua vez, Lucas Pavanato, de 28 anos, registrou 3.038.438 votos em São Paulo, tornando-se o segundo candidato mais votado do país. Com uma trajetória ligada a bandeiras como a restrição de banheiros femininos por mulheres trans e a criação de CPIs para investigar movimentos de moradia, Pavanato veio de uma família evangélica pentecostal, passou pelo MBL e consolidou sua aliança com Jair Bolsonaro. Ele havia sido eleito vereador da capital paulista em 2024 com 161.386 votos, assumindo o cargo em 2025 antes de chegar à Câmara em 2026.

Panorama da nova configuração partidária

Com o encerramento da apuração e a consolidação das projeções, o mapa de forças da Câmara dos Deputados fica distribuído da seguinte maneira:

PL: 121 Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV): 88 União Progressista (PP-União): 87 PSD: 43 Republicanos: 41 MDB: 36 Podemos: 27 Psol-Rede: 15 PSB: 15 PSDB-Cidadania: 11 Novo: 10 Renovação Solidária (PRD-Solidariedade): 7 PDT: 6 Avante: 5 Missão: 1

Essa nova configuração consolida o partido como o principal polo de articulação e o maior bloco isolado no Parlamento brasileiro para os próximos anos.