Suposta propina em MG: mensagens revelam cobranças de deputado

Mensagens mostram cobranças de deputado a governador de MG em caso de suposta propina

Mensagens de texto trocadas entre o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), revelam insistentes cobranças e tentativas de agendamento de reuniões entre agosto e outubro de 2024, período em que uma empresa tentava fechar um contrato de gestão de empréstimos consignados com o governo estadual.

Negociações e contatos iniciais

As tratativas tiveram início em julho de 2024, quando o parlamentar pediu que o então vice-governador recebesse representantes de soluções tecnológicas. Embora Simões tenha declinado o encontro presencial, ele encaminhou os dados para a equipe técnica e, posteriormente, para a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

O contato com o Executivo foi feito por Saulo de Tasso Dino, sócio da Safe Consig Tecnologia da Informação. A empresa buscava emplacar sua plataforma no Estado, citando experiências anteriores em outros órgãos públicos, enquanto os diálogos mostravam a cobrança constante do deputado por respostas e prazos.

A acusação de oferta milionária

O ponto central da polêmica veio a público quando o governador afirmou, durante um debate na televisão, que Euclydes lhe ofereceu R$ 10 milhões para viabilizar o negócio. Segundo o relato, a proposta teria ocorrido em novembro de 2024, durante um casamento na Bahia, onde o parlamentar também teria vinculado o contrato a articulações para as eleições de 2026.

Simões relatou ter ficado transtornado com a situação e mencionado o ocorrido a auxiliares do alto escalão do governo em dezembro daquele ano, embora nenhuma denúncia formal tenha sido registrada na polícia naquele momento.

Repercussão e defesa do parlamentar

A assessoria do deputado federal classificou as acusações como falsas e inverídicas, negando veementemente que a conversa sobre propina tenha acontecido. A defesa questionou o motivo de o governador não ter acionado as autoridades imediatamente e prometeu processar o adversário por danos morais, calúnia e difamação.

Além disso, Euclydes afirmou que a única articulação real envolvia propostas políticas, alegando que o próprio Simões teria lhe oferecido a vaga de vice-governador em negociações eleitorais, versão que amplia o embate político nos bastidores de Minas Gerais.